segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Com calma e serenidade se vai ao longe!


Quem me conhece bem, irá certamente estranhar o título deste artigo, mas juro que é sincero e que funciona – por experiência própria!

Tenho vivido e convivido em meio a Canadenses há alguns anos e a conclusão a que chego e que tento me reeducar constantemente é essa:  Calma!  As coisas se ajeitam, as soluções sempre aparecem!  Não sei por que – e deve haver alguma explicação histórica – mas nós, brasileiros, somos muito afobados!  Não damos tempo ao tempo, não fomos educados a analisar a situação, a deixar que o “cosmos” traga respostas que, quase sempre, estão evidentes.  Somos divertidos, é verdade, ativos e dinâmicos, mas nos atropelamos na maior parte do tempo. 

Falando em educação, não fomos ensinados a aplicar o pensamento científico em nossas próprias vidas; ou seja:  fazer previsão / observar / analisar / experienciar / planejar e re-planejar / avaliar e concluir.  Tiramos conclusões já no primeiro passo!

Trazendo isso para a experiência na direção e coordenação de escolas por 25 anos, gostaria muito de poder transmitir essa mensagem aos profissionais que estão iniciando carreira:  Não se afobem!

Não atropelem professores – ao invés disso, façam o que eles não conseguem fazer por si próprios:  observem o trabalho, analisem e orientem!  É essa a função da coordenação pedagógica. 

Não atropelem as crianças – ouçam-nas!  Observem e analisem os alunos de sua escola nos mais variados momentos.  Muitas respostas vêm deles mesmos.

Não atropelem os pais – encontrem tempo para estarem disponíveis.  Invistam seu tempo na informação de pais e na prática de ouvi-los.  É difícil?  Sei disso muito bem, mas é necessário.  A maioria dos conflitos entre família e escola acontece por falta de comunicação e, inclusive, falta de informação.  Lembrem-se: os pais não são especialistas em educação, não têm bola de cristal.  É papel da escola ajudar na construção dessa ponte de aproximação.

Perdoem-se!  Sim, é isso mesmo!  Não sabemos todas as respostas, não somos perfeitos, mas tenham sempre a consciência tranqüila de que estão pesquisando, estudando, se informando o suficiente. 

Ninguém nasceu sabendo, ninguém se torna especialista por osmose.  Estude!  Faça cursos e mais cursos, leia muito, tudo que puder, para aprender!  Fale com colegas, se abra, troque experiências, seja ativo de forma positiva, sem atropelar ninguém e nem a si mesmo.  Novamente, sei que é difícil, mas a gente sobrevive, eu garanto! 

Início de aulas, pais ansiosos e inseguros, crianças amedrontadas e chorosas, professores que parecem ter esquecido todo o planejamento inicial de adaptação...  Sim, é assim o início do ano, desde que o Mundo é Mundo!  Sempre foi e sempre será e você, colega Coordenador, deve estar preparado – ao menos você.  Alguém tem que manter o equilíbrio, já que todos os outros envolvidos estão desbalanceados.  Você, Coordenador ou Diretor, não tem o direito de perder o fio da meada.  Faz parte do pacote que vem com a profissão.  Não inverta papéis.  Seu papel é o de estar sobrevoando, observando, acalmando, dando segurança a todos, avaliando e propondo estratégias e soluções.

Um termômetro?  Você tem terminado seu dia descabelado, transpirando e sem conseguir sequer resumir como foi seu dia?  Sinal vermelho!  É hora de respirar fundo e rever seus conceitos.  Professores, alunos e pais não precisam, literalmente, de mais uma pessoa afobada, nervosa, cansada e insegura.  Eles todos precisam da mão firme do Coordenador pedagógico, aquele que, mesmo sem ter todas as soluções e explicações, encoraja, apóia, divide e compreende.

A todos os meus colegas Diretores/Coordenadores, bom início de ano – com muita serenidade!

Coloco-me à disposição de todos para grupos de discussão, bate-papo e orientação através da nossa página no Facebook http://www.facebook.com/#!/pages/Home-Quarter-International-Educational-Consulting/185849001479658 (Home Quarter International - Educational Consulting).  Eu e o Jim Leary teremos imenso prazer de elaborar um trabalho com vocês.




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

“A política do pão e circo na educação e na vida”

                Surgiu na Roma Antiga com os “jogos” entre gladiadores e distribuição de pão aos desempregados e, acredite ou não, é a política predominante na maioria das situações do nosso dia-a-dia.  Esta é a maneira mais fácil de manter o poder, distraindo-se as massas, mantendo-as razoavelmente entretidas e alimentadas - sem pensamento crítico, independência, questionamento ou revolta.

                É comum conversar com pessoas de qualquer idade – principalmente das classes ditas desfavorecidas – e notarmos que o mais longe que vão com seus sonhos é o de colocarem comida na mesa e reservarem alguns trocados para uma diversão ocasional.  Entretanto, no resto do tempo, satisfazem-se com a diversão proporcionada pela mídia, joguinhos de celulares bastante acessíveis, churrasquinho despretensioso etc.  É a política do pão e circo!  Necessidades básicas (pobremente) satisfeitas, para quê pensar a respeito? 

                Quantas vezes presenciamos pais distraindo as crianças, satisfazendo suas vontades, para encerrarem uma discussão ou não darem maiores explicações sobre o que quer que seja?  Educadores agem assim, também.  “Vai reclamar de quê?  Tem boa comida e diversão...”

                Assim, nas próprias escolas não se educa para a independência – de pensamentos e atitudes.  Somos uma civilização de dependentes – e passivos.  Pior:  egoístas!  Sim, porque desde que nosso pão e diversão estejam garantidos, não damos a mínima para o outro.

                O pensamento crítico e a lógica científica se desenvolvem desde os primeiros anos – na escola e na família.  É preciso que se respeite a capacidade do ser humano.  No Brasil ainda usamos muito a capa de “super-protetores” – o que, na verdade, é a reprodução da sociedade brasileira desde sempre:  manter o controle sobre criaturas não pensantes, dependentes, amedrontadas e egoístas!

                Tudo à nossa volta é construído e organizado de modo a fazer com que todos se comportem de maneira bastante semelhante e prevista.  Não se tem educado o povo a ser independente e, portanto, caso haja liberdade, não saberá usar.   Liberdade precisa ser trabalhada e exercitada.  Não podemos confundir com libertinagem e irresponsabilidade.

                É preciso que educadores e pais se conscientizem de que a super proteção nada mais é do que a manutenção do controle.   Entretanto, segundo Yves de La Taille, ninguém se torna autônomo (independente de ações e pensamentos) sem ter sido antes heterônomo (dependente de regras e ensinamentos).  Em outras palavras:  a criança não nasce sabendo.  Alguém precisa dizer-lhe como se comportar, mas sempre sendo direcionada  a raciocinar sobre fatos e atitudes.  Aí está o grande problema:  o que presenciamos são pais e/ou professores que ou super protegem ou deliberadamente “largam”.  Temos então crianças, adolescentes, jovens e adultos que - ou são dependentes, passivos, inertes, ou se acham os donos do mundo, agindo como se todos existissem para seu bel prazer.  Fazem o que querem, a hora que querem e permanecem impunes. 

                É neste ponto que devemos ser muito cuidadosos, pois não podemos, de forma alguma, permitir que nossas pequenas crianças se tornem “imperadores” da casa – mandando e desmandando, não respeitando família e escola, etc.  Lembrem-se:  até se atingir a autonomia, é necessário passar pela heteronomia.  Mal criação e falta de respeito não é liberdade de expressão!

                A educação para a independência e exercício da liberdade se torna cada vez mais urgente!  Não podemos mais continuar reproduzindo seres que não percebem o quanto são “distraídos” pela política do pão e circo.  Exagero?  Vamos pensar em algumas situações:

·         O adolescente que se satisfaz com jogos de vídeo game dia e noite, sai para a balada, bebe, se diverte, tem dinheiro no bolso > ele tem tempo para questionar escola/pais?  Tem interesse?  Não!  Suas necessidades imediatas estão satisfeitas.  Aceita o que vier da escola, finge que aprende, mas na verdade não precisa ter o menor interesse, já que a vida que lhe satisfaz está fora dos muros escolares.  Não aprende a participar da comunidade à qual pertence, seja família, escola ou cidade, país.

·         Quantas esposas infelizes são mantidas por maridos que lhe garantem “pão e circo” na forma de cabeleireiras e Shopping Centers?  Elas não questionam, estão “felizes” ...  e o poder está garantido!

·         Bem básico:  a criança faz birra e os pais oferecem sorvete, distraem-na com um joguinho, um brinquedo e “não se fala mais nisso”.  Pronto.  É o início.  Daí prá frente, desde que ela (a criança) se sinta satisfeita em seus prazeres, não se importa, não questiona, não participa!

·         Séc. XXI e nosso governo ainda compra votos por meio de cestas básicas e patrocínio de shows (pão e circo).  Mesmo para as classes ditas mais esclarecidas, será que não é a mesma manipulação, mas com cara diferente?   

Já é tempo de parar e repensar a educação que queremos para as futuras gerações!  Chega de nos satisfazermos apenas com pão e circo! 

Já é tempo de clamarmos por nossa verdadeira liberdade de expressão e ação!   Já é tempo de termos jovens das escolas públicas da periferia sonhando com uma vida melhor, que vá além da cesta básica e bolsa família!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Custo/Benefício no Treinamento de Professores



Uma pesquisa sugere que um dos maiores investimentos que um negócio pode ter é no treinamento de seus funcionários e por razões óbvias, já que garante atualização constante e, consequentemente, aumento na qualidade do serviço prestado.  Um negócio que investe em treinamento demonstra ao seu público o quanto leva a sério a qualidade do seu produto e serviço que presta (...)

Treinamento pode ser caro e o retorno pode não ser notado imediatamente; então, é importante saber se o treinamento resulta de forma positiva como planejado e se o custo refletirá literalmente no benefício da empresa (...)  Quais são então algumas das opções para o negócio de educação?

Congresso

O Congresso é um grande investimento, já que supõe que se envie vários professores do seu local de trabalho para outra cidade.  Além disso, o Congresso é planejado para atender às necessidades gerais da equipe presente – o que nem sempre acontece, pois são professores de diferentes localidades e realidades.  O custo envolve transporte, estadia, alimentação, além do custo dos treinadores propriamente ditos.  Um Congresso pode representar um grande investimento financeiro em treinamento, o qual pode representar um retorno pequeno efetivo à escola (...)

Um grande Congresso pode ser mais efetivo caso os professores tenham a opção de escolha de cursos e/ou palestras que atendam especificamente a suas necessidades e da escola.  Pode ser também interessante para introduzir tópicos gerais para um grande público, mas definitivamente não será algo dirigido específica e particularmente a cada escola – torna-se então um investimento alto em face ao benefício imediato.

Treinamento localizado

O Treinamento localizado – e personalizado – tem se tornado muito mais atraente e compensador para escolas por diversas razões:

1.      Sai, em média, 30% mais econômico, uma vez que a locomoção e demais despesas é apenas do treinador e não de um grupo de professores.

2.      É desenhado especificamente para a escola a partir das informações fornecidas pela mesma, o que torna o treinamento muito mais significativo, importante e realmente efetivo e com resultados imediatos.

3.      O treinamento localizado no local de trabalho propicia uma conexão muito mais significativa, tanto para o treinador, quanto para a equipe.

4.      Há aumento na capacidade de locomoção e acomodação ao local de trabalho.

5.      O local de trabalho desenvolve a cultura de aprendizagem e renovação.

6.      A consulta no local de trabalho e assistência prática é uma opção no treinamento localizado além de providenciar um incentivo adicional  e suporte para implementação do que é aprendido através do treinamento.  Ou seja, todos (treinadores e professores) se sentem comprometidos e envolvidos.

Treinamento localizado tem se demonstrado eficaz especialmente quando a escola está ativamente envolvida no planejamento do treinamento, necessidades e expectativas.  http://eric.ed.gov/ERICWebPortal/search/detailmini.jsp?_nfpb=true&_&ERICExtSearch_SearchValue_0=ED231788&ERICExtSearch_SearchType_0=no&accno=ED231788

Então, como a escola faz para ter custo efetivo e eficiente no treinamento localizado para toda a equipe?  O passo mais importante é contratar uma agência educacional confiável que providenciará o seguinte:

1.      Consultar a escola sobre as necessidades de treinamento e montar um programa que se encaixe e vá ao encontro dessas necessidades específicas.  Treinamentos prontos e acabados, tidos como “padrão”, muitas vezes ficam muito aquém das necessidades dos profissionais, representando perda de tempo e de dinheiro.  Em um treinamento a escola deve obter o que necessita e não o que o treinador imagina que deva ser.

2.      Explicar em detalhes os custos sem surpresas desagradáveis no final ou despesas irracionais.

3.      Acompanhar o treinamento na escola para dar assistência na implementação efetiva do que foi aprendido durante o treinamento pelos professores.  Uma boa agência educacional irá garantir e se colocar à disposição para apoio e esclarecimento de dúvidas posteriores que por ventura surjam após o período do treinamento.

4.      Estar preparada para ajustar os planos do treinamento de acordo com as necessidades que surjam antes ou mesmo durante o período de trabalho.

Variações

Nunca haverá uma única resposta para suas necessidades de treinamento.  Às vezes, enviar professores a um Congresso geral e longe da escola é necessário e desejado.  Às vezes, sua necessidade irá requerer um treinamento localizado no local de trabalho, onde a equipe necessita de treinamento específico, além de desenvolver uma comunidade de aprendizagem na escola.  Outras vezes um “mini congresso” é uma boa opção e acontece quando várias escolas próximas se reúnem e colaboram, não só para planejar o treinamento que atenda às necessidades de todos, mas também para dividirem custos e poderem incluir ainda mais profissionais.  O melhor treinamento de equipe é aquele controlado e dirigido pela própria escola.  Uma escola no controle de seu próprio programa de treinamento constrói o caminho para renovação e crescimento contínuo. 

Home Quarter International tem mais de 30 anos de experiência no planejamento cooperativo e prestação de serviço que justifique o investimento no Brasil, Canadá, Caribe e Oriente Médio.

Contate Giselle ou Jim para discutir suas necessidades em treinamento escolar. Estamos no facebook – página do Home Quarter International ou pelo email:  gisellefernandes2@hotmail.com , learyjim@hotmail.com

Texto original:

Cost Effective Teacher Training Research suggests that one of the greatest investments a business can make is in the training of its employees. Training ensures that employees have current skills to conduct their duties. A business that invests in training demonstrates to its public that it is serious about the quality of the product and service it delivers. An investment in Human Resource development is important to a business’ success. In education the importance of effective training is critical since a school’s reputation rests on the quality of its teachers.

Training can be expensive and the returns on an investment in training may not be seen immediately so it is sometimes difficult to determine if training has been as successful as planned and whether money has been well spent.

The difficulty is making training investment effective and cost efficient. The school is spends valuable financial and human resources, often on training over which it has little control or input. What then are some training options for educational businesses?

The Congress

The congress is a large investment usually to send teachers away from their work place to another city for training. Since the congress is designed to meet the needs of many teachers from many different schools and levels it usually consists of offering the teachers a choice of topics from which to choose. The cost of a congress includes transportation, food and hotel for the teacher as well as the shared cost for the congress trainers. This expense can be considerable if many teachers are sent from one school. In addition the school has no or little control over the content of the congress and cannot have the congress designed to the needs of the school. A congress can be a large financial investment in a training exercise which may have little return to the school.

The large congress may be very effective when teachers have a choice of sessions to attend where they may learn skills which they can apply once returning to the school. The congress may also be effective in introducing general topics to a large audience. A congress may not be the most effective means of providing specialized and school specific training......a very expensive means.

Site Based Training

Site based training is a training option which is becoming more attractive to schools for several reasons:

1. It is much less expensive; at times only 30% of the cost of sending teachers to a congress because there are no transportation, accommodation or restaurant meal costs for participants.

2. It is designed specifically for the school with input from the school making the training more meaningful and important and supportive of the school’s mission and vision.

3. The training is done in the workplace/school so there is a connection between training and work. The training ‘sticks’

4. There is an increased capacity for transfer of training to the workplace since the training takes place in the workplace.

5. The workplace develops a culture of lifelong learning and renewal since teachers learn and are renewed in their workplace and not at some ‘getaway’

6. On site consultation and ‘hands on classroom assistance’ is an option with onsite training thus providing an additional incentive and support to implementation of what is learned through training.

Site based training has demonstrated itself effective especially when the school is actively involved in the planning of the training and demanding in what it expects from the training consultants/trainers. http://eric.ed.gov/ERICWebPortal/search/detailmini.jsp?_nfpb=true&_&ERICExtSearch_SearchValue_0=ED231788&ERICExtSearch_SearchType_0=no&accno=ED231788

So, how does a school go about arranging cost effective and efficient site based training for the entire staff? The most important step is to contract a trusted training agency that will do the following for you;

1. Consult with you about your training needs and design a program that fits your school. A good training agency will consult with you and plan a program collaboratively rather than delivering ‘training in a box’ where you get what the trainer has planned for you rather than with you. You are paying for a training product therefore you should expect what you need rather than what the trainer thinks you need.

2. Explain in detail the cost to you with no hidden fees or surprise expenses or expenses which are unreasonable.

3. Follow up on the training in your school to assist you in the effective implementation of what is learned in the training by teachers. A good training agency will provide support to your school beyond the actual training session

4. Be prepared to adjust training plans and services according to your changing needs.

Variations

There is never only one answer to your training needs. Sometimes sending teachers to a congress away from the school is what is desired. Sometimes your need will demand intensive ‘on-site’ training in the workplace where staff request or require very specific training as a team thereby developing a learning community in the school. Yet other times a ‘mini congress’ is a good option where several neighbouring schools collaborate to design a training program to meet common needs with minimal cost and encouraging cooperation between schools so they may support each other. The best staff training is the training which is controlled and directed by the school. A school in control of its own training program has built the highway to renewal and continued growth.

Home Quarter International has over 30 years of experience in collaborative design and delivery of cost effective custom training in Canada, Brasil, Caribbean and Middle East.

Contact Giselle or Jim to discuss your custom designed training needs. We are on facebook at Home Quarter International or can be reached through email at :  gisellefernandes2@hotmail.com , learyjim@hotmail.com

sábado, 2 de outubro de 2010

“O essencial é invisível aos olhos” em O Pequeno Príncipe

É incrível como Antoine de Saint-Exupéry soube falar de sentimentos e de vínculos em sua obra mundialmente conhecida! E como se mostra a nós, diariamente. Tive, esta semana, uma experiência que já vinha acontecendo há algum tempo, mas que se materializou exatamente ontem, 6ª. feira! Recebi uma linda florzinha de jardim de um garotinho de 4 anos e, em seguida, um cartão todo pintado por ele e com as letras, todas misturadas e significando nossos nomes: o meu e o dele! Tudo isso acompanhado de abraço e beijo, vindos de uns olhinhos azuis irresistíveis!

Mas o que eu quero salientar aqui, é o vínculo, é o “tornar-se responsável por aquilo que cativas”, é o tornar-se importante para alguém! Isso tudo, em minha profissão, dirigindo escolas! Tarefa difícil? Não para com as crianças que têm olhos de ver! Olhos puros, capazes de enxergar o essencial que os adultos muitas vezes não enxergam. Tenho diariamente manifestações como esta, mas ontem, mais sensibilizada, o garotinho me emocionou!

Em minha função, diariamente trabalho colocando limites nos procedimentos das crianças e com este, em particular, precisei ser bastante firme durante seu período de adaptação, quando ele sofria desde os 2 aninhos para separar-se de seus pais ao ficar na escola, mesmo sabendo o quanto a escola seria divertida e quantos amigos seriam seus companheiros durante o período em que lá estivesse! O interessante é que ele, hoje, está sempre buscando meu olhar, para o qual recebo em contrapartida, um sorriso e um brilho nos olhos que são sua marca registrada! Ele tinha muita vontade de conseguir ficar na escola, mas não conseguia isso sozinho! Precisava de uma mão forte a conduzi-lo, a dar-lhe a segurança que tanto necessitava! E ele conseguiu! É um vencedor!

Decidi relatar isso, para discutir mais uma vez a importância de sermos “guias” de nossas crianças! Eles querem e precisam disso. Só não sabem demonstrar. Ser firme, olhar nos olhos deles limitando, mas ao mesmo tempo dizendo com nosso olhar que os amamos, que acreditamos neles, que sabemos que aquilo é possível a eles de ser feito! As crianças precisam não só dos limites e das direções a serem seguidas, mas também de nossa demonstração de confiança, de amor e de segurança! Mais ou menos como se disséssemos: “Vá em frente, te amo e sei que você consegue! Você é capaz! Não há perigo, confie em mim!” Isso tudo é sentimento que não se expressa muitas vezes em palavras, mas no olhar, no toque, naquilo que não está verbalizado e que só a criança, pura, inocente e sensível consegue enxergar, sentir, perceber!

Para tanto, mais do que simplesmente “gostar de criança” como se gosta de um bonequinho, é preciso estar envolvido e compromissado com o desenvolvimento do ser humano, é preciso ser apaixonado pela educação como um todo, é necessário sentir-se responsável por “crescer” uma criança de modo a deixá-la livre, independente, feliz, emocionalmente equilibrada e bem resolvida consigo mesma e nos relacionamentos sociais que irá levar para toda sua vida! É preciso que a criança confie em si, aprenda a se conhecer em suas habilidades e necessidades, fraquezas, assim como ser flexível para conquistar esse mundão aí fora!

Com a modernidade, passou-se a idéia de que crianças são bonequinhos bonitinhos, absolutamente dependentes e incapazes de serem felizes sem nossa interferência, bobinhos e manipuláveis! Criança nenhuma gosta de se sentir assim! São lindos, é verdade, mas nem por isso deixam de ser Seres Humanos no mais pleno desenvolvimento! São muito mais capazes do que nós! Perdem a sensibilidade por culpa nossa! Sempre gostei de ouvir a opinião das crianças sobre diversos assuntos – experimente!

O que quero dizer, é que se torna essencial que passemos a ter um olhar de respeito para com os seres humanos ditos “crianças”! É preciso que voltemos a ser seus gurus, seu porto seguro para onde eles possam voltar sempre que necessário, mas que não deixemos de ser aqueles incentivadores responsáveis e seguros do que estamos fazendo e do que é certo ou errado, possível ou impossível para eles, para nós!

Já é tempo de deixarmos de subestimar a inteligência e capacidade infantis! Eles são seres prontos para assumirem responsabilidades, para terem discernimento, para buscarem ajuda quando necessitam! Não estou falando de abandono para que eles encontrem seus caminhos! Estou falando de acompanhamento responsável, sem que a liberdade e a própria natureza possam agir a favor de nossos pequenos! Afinal, “o essencial é invisível aos olhos”! Quanto ao “meu” garotinho, serei eternamente responsável por aquilo que cativei, mesmo antes da florzinha do jardim (e que não é a rosa)!

Site oficial do “Pequeno Príncipe”: http://www.opequenoprincipe.com/

"Toda pessoa grande foi criança um dia... Mas poucas se lembram disso"

sábado, 7 de agosto de 2010

“Educar é a melhor forma de proteger” (*)

Está em discussão a validade de se aprovar ou não o projeto de Lei que proíbe qualquer forma de punição física a crianças e tive a oportunidade de ler a opinião do Dr. Lino de Macedo no jornal Folha de São Paulo de 31/julho, que afirma que a lei não soluciona os problemas da infância – com o que concordo totalmente.
Diz o professor Lino, na conclusão de seu artigo: “Como não substituir a violência física pela sedução, por promessas que criam ilusões, que confundem? Penso que, hoje, os problemas da sedução, assédio, indiferença, permissividade e omissão dos adultos em relação às crianças e jovens são tão graves ou mais do que o das palmadas.”
Evidentemente, não estamos falando de espancamentos e sim de palmadas ou surras “caseiras e rotineiras”. Nós, educadores, muito discutimos a respeito de como educar os pais e até mesmo professores desavisados a respeito da melhor forma de se educar uma criança, sem que se recorra a agressão física, mas também e principalmente a agressão moral e emocional, muitas vezes mais prejudicial e que deixa marcas muito mais profundas do que uma simples e eventual palmada.

No Brasil há uma distorção muito grande do conceito de “autoridade e autoritarismo” e então notamos que essa confusão chegou aos pais e a muitas escolas despreparadas. Ter autoridade e mostrar limites faz com que a criança se sinta segura e saiba se movimentar e agir com autonomia. O autoritarismo leva a criação de “robôs”; ou seja, de indivíduos sem nenhum senso crítico, atitude ou iniciativa. Há ainda aqueles que, temerosos tanto de um quanto de outro, recorrem à permissividade ou ao abandono, gerando jovens sem a menor noção de limites ou respeito. Há ainda os chantagistas e muitos outros.

O prof. Lino discorre sobre o assunto com tamanha nitidez que não me atrevo a me estender mais sobre o assunto. Prefiro indicar a leitura de seu texto, que questiona as artimanhas que muitos pais e professores utilizam para conseguirem momentaneamente o que desejam sem, no entanto, educarem as crianças.

Sugiro então o link http://blogdofavre.ig.com.br/2010/07/deve-ser-aprovado-o-projeto-de-lei-que-proibe-punicao-fisica-a-criancas/ onde o leitor poderá, no início, ler a argumentação favorável à lei e, em seguida, a opinião do Prof. Lino de Macedo. Sem dúvida nenhuma, leitura obrigatória para quem deseja iniciar uma reflexão a esse respeito, revendo seus conceitos e tomando consciência de que a educação (no sentido amplo da palavra) prévia de uma criança é o meio mais eficaz de se garantir jovens e adultos equilibrados e respeitosos.

(*) LINO DE MACEDO é professor titular de psicologia do desenvolvimento do Instituto de Psicologia da USP e membro da Academia Paulista de Psicologia.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A vida não é um serviço “à la carte”

Bom seria se tivéssemos um cardápio de pessoas e de situações as quais gostaríamos que fizessem (ou não) parte de nossa vida; mas, feliz ou infelizmente, não é assim que as coisas acontecem!

Nossa sociedade está cada vez mais egoísta e intolerante. Se pararmos para pensar, não tem havido muita preocupação dos pais ou da escola neste sentido. Isso já era de se esperar, já que não podemos dar aquilo que não temos, infelizmente. Entretanto, se tomarmos consciência, poderemos mudar o rumo das coisas para aprendermos e, consequentemente, ensinarmos!

Quando falo de intolerância, refiro-me principalmente às pessoas que agem como se tivessem um cardápio em mãos, onde podem incluir ou descartar as outras pessoas, além de tentarem montar aquele cardápio do tipo “combo” de batatas fritas e suco! Parece estranho, mas é assim mesmo que acontece!

“Quero esta pessoa, com tais e tais características de personalidade e comportamento, com tais e tais preferências, reações e pensamentos.” O mais engraçado é que justamente as pessoas que agem dessa forma, com o cardápio nas mãos, não imaginam que podem estar fazendo parte também do cardápio de outras pessoas e, assim, serem descartadas ou obrigadas a fazerem parte de um sanduíche “combo”, mesmo que contra sua vontade.

Historicamente, nossa sociedade foi formada pelo que é chamado de “realeza sem nobreza”, o que pode explicar muita coisa! “Levar vantagem” e não se importar com o outro, a valorização do “ter” (trajes ricos, por exemplo) em detrimento do “ser”, sem nenhum sentimento nobre de solidariedade, compromisso, ética ou respeito, por exemplo. Também podemos nos referir ao abuso de poder, chantagem, ameaça do tipo “você sabe com quem está falando?” >>> é o próprio REI sem escrúpulos, sem nobreza de caráter. Respeitar regras e ter respeito então, para os “reizinhos”, nunca foi uma realidade. O problema aparece quando se deparam com outros “reizinhos” – aí vira até jargão humorístico – “To pagando...”

Continuando pela história que não me parece tão antiga assim, chegamos a indivíduos que ainda hoje vivem como se estivessem com um serviço à la carte à sua disposição, incluindo ou descartando pessoas e situações, de acordo com o seu próprio interesse. Sim, interesses geralmente vêm à frente de tudo e de todos!

Será que não estamos educando nossas crianças e jovens do mesmo modo? Estamos ensinando (e aprendendo) a viver e conviver no meio de outras pessoas diferentes de nós, mas que não por isso são melhores ou piores do que nós? Será que temos incluído ou descartado pessoas, em nosso dia a dia, ao nosso bel prazer? É essa sociedade que queremos para nossos filhos? Pessoas rudes, fúteis, sem a capacidade de ter um olhar para o outro, sem enxergar beleza na convivência com a diferença? Até onde vai o nosso direito? Até a hora em que o cardápio se fechar e nos dermos conta de que ficamos de fora, sozinhos, excluídos?

Há sociedades (poucas ainda) modernas e mais desenvolvidas, que se preocupam com a formação do ser humano. Nossa sociedade brasileira está ainda muito primitiva e sofre quem já tem um olhar mais avançado. Quem consegue enxergar beleza, bondade, fraternidade, ética, à frente das “vestimentas da realeza” limita-se, por enquanto, a observar ou a tentar agir em pequenos grupos mais desenvolvidos que justamente irão crescer ainda mais por aprenderem também a conviver com o diferente, em meio a uma sociedade mais primitiva como a nossa. Fica a proposta: Abandonar nossos cardápios seletivos, sermos mais humildes no sentido de respeitarmos os iguais e diferentes, vamos aprender e ensinar a nossas crianças que a vida é muito mais do que as ricas vestimentas de uma realeza sem nobreza que colonizou nosso país!

Pais separados: assunto delicado!


Durante a longa trajetória em educação, nos deparamos com as mais variadas situações familiares, e é com essa base que passo a escrever neste momento sobre um assunto bastante delicado, mas que não pode ser desconsiderado ou tratado como “assunto proibido”. A separação dos pais é uma realidade que não pode ser encarada por nós, educadores, como um “drama” ou com preconceito. Falarei aos pais e aos filhos, então!




Antes de mais nada, mamães e papais, precisamos encarar que a separação é do casal e não dos filhos! É algo natural, muito melhor do que a convivência falsa, hipócrita ou sem respeito do passado! Filhos encarem que a separação é dos seus pais, em nada tendo a ver com vocês! Os filhos não se separam ou perdem seus pais! Vamos detalhar isso tudo?



É bastante comum que os pais, durante o processo de separação ou divórcio passem a falar muito mal um do outro a seus filhos. Consequências? Muitas! A criança pequena que passa por isso reproduz na escola exatamente as frases que ouve em casa, demonstrando o quanto isso mexe com ela, deixa-a abalada emocionalmente, já que está ouvindo coisas horríveis a respeito de alguém a quem ama muito! Se maiorzinho, entra literalmente em desespero ao se sentir “repartida”. Adolescentes que se recordam das brigas, agressões – físicas ou não – falta de respeito, etc. podem se fechar em si mesmos ou, por outro lado, se rebelarem contra o mundo, se afastando de ambos: pai e mãe.



Já o jovem ou adulto carrega consigo todos os traumas do passado e toma para si a dor de um ou de outro, achando que tem a obrigação de tomar partido, de julgar quem é o culpado, etc. Com isso, ocorre o inevitável: distanciamento do pai ou da mãe, conforme o caso.



O pior de tudo é que percebemos uma satisfação embutida no pai ou na mãe, ao ter o filho “do seu lado”, não percebendo que esteve, o tempo todo, usando seu próprio filho como arma de vingançacontra o outro, em uma demonstração de egoísmo covarde, em um jogo para vencedores e perdedores! Covarde sim, pois usar alguém que foi gerado dessa união contra o próprio genitor é, no mínimo, covarde! Para nós, educadores, essa situação, apesar de corriqueira, é inaceitável, pois um pai ou uma mãe que AMA seu filho, jamais faria uso dele para obter qualquer privilégio que fosse, muito menos para “ganhar” o jogo, um jogo que só existe na cabeça dele ou dela...



Obviamente que se houve uma separação, houve atrito anterior. Culpado? Vítima? Ninguém, além do casal, jamais saberá! Um filho jovem ou adulto nessa situação de embate, certamente irá se recordar quase que somente dos atritos, dos constrangimentos e, assim, com o “reforço” negativo do pai ou da mãe, facilmente o filho irá tomar partido, acusar o suposto “culpado”, distanciar-se dele e...



Perdê-lo! Para sempre? Talvez, caso não se dê conta do enorme erro que está cometendo!



Preciso, neste momento, fazer o alerta aos filhos, que não se deixem manipular, que não comprem a briga para si, já que uma história nunca tem um lado só e, além disso, a história não se refere a eles! Ninguém deixa de ser pai ou mãe quando se separa! O laço é eterno! Mas vemos que os filhos se distanciam, os pais se constrangem e os dois lados se afastam, se perdem, sofrem, sofrem muito! No futuro, quando pai e mãe já tiverem se refeito, já tiverem formado outra família, com outro companheiro(a), quem ficou de fora foi o filho! Perdeu seu pai, perdeu sua mãe, você sentirá saudades, verá seu pai, sua mãe já idosos e você terrivelmente arrependido pelo tempo perdido!



É difícil, desagradável a nova situação de ver o pai sem a mãe ou a mãe sem o pai? Sim, evidentemente é bastante estranha e geralmente temos a tendência a rejeitar tudo que é novo, tudo que nos parece estranho, que nos tira da zona de conforto. A rotina é bem mais segura, não? Mas crescer, , encarar a vida de frente dói, mas o resultado geralmente é muito positivo a todos! Muito mais do que viverem separados, privando-se do amor um do outro, por birras que não são suas!



Concluindo, meu recado aos pais que se separam: separem-se única e exclusivamente de seu cônjuge; JAMAIS de seu filho! A distância física de não morar mais na mesma casa pode não significar absolutamente nada se você continuar a conviver, a fazer parte da vida de seu filho, a compartilhar com ele as alegrias, os medos, a novidade e até a estranheza da vida nova! Interessar-se realmente por tudo que acontece com seu filho, mostrar a alegria, o prazer e o orgulho de tê-lo ao seu lado! Ao refazer sua vida, faça questão de compartilhá-la com seu filho! Deixe que ele tenha a oportunidade de conhecer e conviver com seu novo companheiro(a)! Todos sairão enriquecidos dessa experiência! Sem mágoas, sem revanches, sem jogo.



Aos pais que ficaram sofrendo, na separação, apoiem-se sim no alto astral, na força, energia, alegria e mentalidade jovem e sem preconceito de seus filhos! Aproveite isso! Dê a volta por cima, seja positivo ao invés de ficar amargando vingança, que fará mal a você e, principalmente, ao seu filho! É possível e muito prazeroso recomeçar, de cabeça erguida e consciência tranquila!



Haveria muito mais a se dizer, restringi-me às situações mais comuns do dia-a-dia, mas espero que tenha sido importante àqueles que passam por isso e que não têm a noção de como a vida pode ser mais simples! Grande abraço e desculpem-me caso tenha me empolgado, mas é preciso que se fale daquilo que aprendemos com a vida, com o conhecimento de tantos e tantos casos de pessoas que poderiam ter sofrido muito menos, ter aproveitado mais, ter dado a volta por cima, ter aprendido com a própria experiência, ter agido com mais amor e imparcialidade com seus filhos...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Faça o que eu digo E o que eu faço!


Não é de hoje e nem eu sou a única educadora a afirmar que nossas crianças aprendem com os nossos exemplos, com os nossos procedimentos! E mais ainda, durante a chamada 1ª. Infância, que vai até os 6 anos de idade. Pois bem, então a frase que diz “faça o que eu digo, mas NÃO faça o que eu faço” não funciona na educação infantil! Ou seja, aquilo que vemos pais, educadores ou familiares fazendo de errado, anti-ético, inoportuno, será copiado e feito sim pela criança!


Em primeiro lugar, como para a criança o exemplo concreto, visto, vivenciado ou ouvido pela criança é muito mais fácil de ser gravado e é tido para ela como modelo, ela irá reproduzir com certeza! Mesmo que não o fosse, de nada adiantaria dizer “a mamãe faz assim, mas você não!” já que não faria sentido algum! “Porque não posso fazer, se a mamãe faz? Ela é o meu modelo, ela sabe tudo, porque não devo copiá-la? Afinal, em outros momentos, a mamãe olha prá mim e diz “veja como a mamãe faz para que você aprenda!” – interessante, não? Vamos tomar como exemplo a mentira. A criança ouve o pai mentir para alguém e quando o questiona, recebe essa resposta descabida, dizendo que mentiras são para “gente grande”, que sabe quando e como usá-las. É evidente que a criança irá aprender a mentir!

Precisamos começar a levar a educação mais a sério, deixando de delegar somente à escola essa tarefa – até porque a escola exerce uma influência importante sobre a criança, mas em comparação com a influência da família, acaba sendo muito pequena. Educadores nas escolas e todos os outros adultos que convivem com a criança são também responsáveis pela boa formação, evidentemente, mas a família ainda é e sempre será o centro de tudo, o maior exemplo que fará parte das raízes, da construção da base e da personalidade da criança. Vivo no meio da educação há mais de 20 anos e estas observações são produto da vivência com os mais variados casos.

A partir do momento em que decidimos ter um filho, nossa postura passa a ter um comprometimento muito maior do que antes. Não é isso que temos notado. Pais, muitas vezes despreparados para a formação de um outro indivíduo (temporariamente criança, mas rapidamente adulto), agem de maneira irresponsável no sentido da formação moral e ética de seus filhos. Alimentar, vestir e educar não é assumir a responsabilidade pela educação do filho! Educação é muito mais do que isso!

Quando digo “pais”, dirijo-me ainda à família estendida desta vida moderna: babás e avós que “cuidam” das crianças! “Será que essas outras pessoas, que influenciam diretamente meu filho, estão seguindo a mesma linha de educação que nós, pais?” Será que já nos perguntamos isso?

Babás despreparadas e avós que desautorizam os pais são bastante comuns! Até que ponto nos preocupamos em orientar as babás quanto a educação que desejamos para nossos filhos? Afinal, quem de fato acaba criando boa parte das crianças são elas! Quais são os exemplos que a babá irá dar à criança?

Avós que já criaram seus próprios filhos, dificilmente acatam a decisão sobre a educação dos netos e acabam se tornando permissivos ou anti-éticos desautorizando, por exemplo, os pais na frente da criança. Será que os pais têm essa preocupação ou até mesmo abertura com os avós para que sigam também a linha de educação escolhida por eles? A comida não é o único alimento da criança! A roupa não é o único acessório, já que alimento e acessório da personalidade são construídos, dia após dia, durante o desenvolvimento infantil.

Uma avó que critica a nora ou o genro, por exemplo, que mente aos pais para aliviar erros do neto, ou que exige postura rígida dos pais, enquanto a sua mesma é permissiva, deixa a criança confusa e sem respeito ou admiração por seus próprios pais! Familiares que resolvem as coisas no grito estão ensinando a criança a gritar para resolver seus problemas! E pior: depois punem essa mesma criança que só teve como modelo o rancor e o desrespeito!

Soluções? Não há manual de instruções, nem livro de receitas, mas diálogo, respeito, ética podem ser um ótimo começo! Análise crítica da postura assumida até aqui e tomada de decisão: (*) já que a criança será “criada” por babás ou avós, que estes façam parte da decisão quanto a educação dos filhos! (*) como tem sido o procedimento, enquanto pais, com relação a respeito e ética? As ações e reações que tenho mostrado ao meu filho são as mesmas que desejo que ele reproduza? (*) tenho conduzido meu filho (neto, sobrinho, aluno) na direção de uma sociedade ética, justa e respeitosa? (*) quanto tempo do meu tempo eu dedico a me informar e aprender sobre a formação do caráter do meu filho? (*) posso dizer abertamente que desejo que meu filho literalmente “faça o que eu digo E o que eu faço?”

Há uma frase de autor desconhecido que eu quero deixar ao leitor, como convite à reflexão: "todo mundo está pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando que pensarão em deixar filhos melhores para nosso mundo"?

Voltaremos ao assunto em breve!

domingo, 9 de maio de 2010

Meu filho está rebelde: e agora?


“Estar” é muito diferente de “Ser”! Portanto, para começarmos nosso bate-papo, vamos pensar que uma criança “está” e não “é”, naturalmente, rebelde.
A rebeldia nada mais é do que uma estratégia da criança para conseguir o que quer. Assim como o choro, a chantagem emocional, entre outras. Como estratégia, sabemos não ser justa e muito menos ética. É apelação! Portanto, está nas mãos de todos os responsáveis pela educação da criança, fazê-la compreender que não é atitude correta. O primeiro passo é não ceder à rebeldia! Não se assustar com os gritos, com o fato de se jogar no chão, ou outras atitudes semelhantes. Se funcionar, dificilmente conseguiremos mostrar à criança que deverá extinguir esse comportamento. Quando digo “funcionar”, quero dizer “ceder” à rebeldia, atender aos gritos, choro, escândalo.
É bastante difícil no dia-a-dia, especialmente se a rebeldia já for constante. O ideal mesmo é cortar o mal pela raiz. No primeiro grito, com a criança ainda bem pequena, não ceder a esse apelo nada ético - mas sempre há tempo! Ignorar a atitude imprópria de rebeldia é fundamental! A criança se joga no chão, grita, chora? Apenas garanta que não se machuque e a ignore! Deixe que se acalme e que perceba que não tem sua atenção dessa maneira. Ninguém suporta ficar gritando ou se debatendo no chão sem motivo; ou seja, sem que chame a atenção de ninguém! Num segundo momento, retome, mostrando à criança que o diálogo em tom respeitoso de voz é que fará com que você lhe dispense atenção. Entretanto, mesmo com o diálogo, não ceda aos caprichos se não forem justos! Afinal, espera-se que o adulto tenha discernimento e responsabilidade para usar seu poder de decisão. Lembre-se que o grito é o argumento de quem não tem argumento! Isso, inclusive entre nós, adultos! Quantas vezes não nos deparamos com adultos que utilizam a chantagem, a agressão, o desrespeito, sem nenhum argumento plausível? Cabe a nós, que temos contato com as crianças e que somos, enquanto pais e educadores, responsáveis pela formação da criança, mostrarmos a ela que deverá sempre ponderar muito bem, ser justa, honesta, ética e aí sim acumular argumentos suficientes para defender seu ponto de vista, mas sempre levando em consideração o outro!
Quando digo que uma criança não “É” rebelde, quero dizer que ninguém nasce sabendo utilizar nem essa, nem qualquer outra estratégia para satisfazer suas vontades! Aprende-se! Fica-se rebelde em determinadas situações e, inclusive, com determinadas pessoas! A criança sabe muito bem com quem funciona ou não a rebeldia! Quem tem ou não medo de sua atitude; ou melhor, quem se intimida com seus gritos e escândalos ou não. Vemos isso até mesmo entre crianças muito pequenas com 1 ano de idade! Se corrermos a atendê-la no primeiro grito, automaticamente irá se acostumar a isso, fazendo da rebeldia uma prática constante.
Até aqui, me referi a crianças criadas em famílias ditas “normais”, com rebeldia evidente na primeira infância ou até um pouco mais. Evidentemente que uma criança proveniente de uma família onde vê constantemente seus próprios pais gritando e se desrespeitando, humilhando empregados, brigando com tudo e com todos, utilizando chantagens e outras estratégias egoístas e desrespeitosas, essa criança será sim (e, neste caso, podemos dizer que ela “É”) rebelde, sendo que dificilmente alguém conseguirá que tenha um comportamento diferente em sua vida. Não estou falando também de crianças abandonadas, indesejadas ou mal tratadas. Para todos esses casos, nosso olhar é outro e não vem ao caso neste artigo.
Voltando à nossa criança padrão do texto, uma outra dica é exercer autoridade sobre o filho, sem que seja abuso de poder ou autoritarismo, mas autoridade. Alguém, na família, precisa ser líder da situação, até mesmo porque a criança sente essa necessidade. Então, no caso da criança estar rebelde, o ideal é que se fale firmemente com ela – por exemplo, na hora do banho: “Está na hora do banho, venha agora!” - com o verbo no imperativo, mas com voz branda, respeitosa. Não implore para que a criança tome banho. Ela sentirá sua fraqueza, seu medo em não ser atendido e utilizará a rebeldia com certeza, pois já sabe que irá funcionar! Você deu a deixa ao “pedir, implorar” para que tomasse banho. E aí, quando o adulto percebe que perdeu o controle da situação e não será atendido, acaba por também utilizar os gritos e desrespeito como resposta à criança: a mãe se descabela, grita, diz que não agüenta mais e assume, perante a criança, que não sabe o que fazer e que está mais fragilizada do que a própria criança! Ou então, apela para “comprar” comportamentos adequados ou a bater, etc. Tudo descontrolado, literalmente!
Percebo muito medo dos pais para estabelecerem limites (assunto de outros artigos passados e futuros) ou para assumirem suas lideranças na família – e professores, para assumirem a liderança na escola. De onde vem esse medo? Não faz sentido! Passamos de um autoritarismo absoluto para uma permissividade absurda e muitas vezes fica difícil para a criança saber quem é que sabe das coisas para que ela possa se apoiar, aprender, crescer! Desde que haja respeito, os limites precisam ser colocados! A educação, a formação do ser humano precisa acontecer e isso ainda é tarefa da família, lembrando sempre que todos representam o modelo que será seguido por nossas crianças e que NÃO cabe, em educação, a frase “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!” Ela fará SIM o que fizermos! A criança aprende e reproduz o que vê, ouve, sente, vivencia! Portanto, vamos enfatizar mais as estratégias de diálogo, respeito, ética, pensar no outro, etc, etc!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mamãe, Papai, vamos brincar?


Quem, entre os pais, não está habituado a esse pedido das crianças? E o que fazer? Como, quando e quanto brincar com os filhos? “Bastante”, eu diria! Entretanto, “bastante” não significa o tempo todo!


Refletindo um pouco sobre o assunto, chegamos à conclusão que, como quase tudo na vida, o ideal é o meio termo: nem muito e nem pouco! É realmente importante e fundamental que os pais reservem parte de seu tempo para as crianças. O momento da brincadeira, além de lúdico e divertido, se mostra extremamente importante para análise e observação da criança: como ela se comporta perante um jogo, se consegue seguir regras, se pensa a brincadeira com lógica, se consegue focar no objetivo do jogo, se faz o jogo simbólico – atribuir significado a objetos, por exemplo. Como anda a criatividade da criança, a disposição, o equilíbrio, a capacidade de movimentos, enfim, são habilidades e características diversas e variadas, todas observadas durante a brincadeira! Há ainda a oportunidade de proximidade dos pais durante algo que seja do mundinho deles! É o papai e/ou a mamãe participando de seu mundinho, dando importância às suas coisas! Uma relação saudável entre pessoas vem de um compartilhamento de mundos, ideias, gostos e até mesmo de discórdias! Assim se inicia, por exemplo, o hábito de diálogo e envolvimento familiar!

Pois bem, isto posto, vamos falar agora sobre a dosagem desse tempo dedicado às crianças. Ocorre que muitas vezes notamos exagero e preocupação em entreter a criança o tempo inteiro, sem folga, como se o mundo fosse um parque de diversões constante, ou que todas as pessoas que convivem com a criança não tivessem outra coisa a fazer, senão brincar e entretê-la!

Não é por termos nos tornado mães ou pais, que deixamos de ser homens e mulheres, profissionais, que têm amigos, que também gostam de compartilhar e conviver com outras pessoas, ir a lugares apropriados para adultos, etc. Não admitir isso pode levar ao desprazer em estar com a criança. O contato e participação dos pais deve existir, mas por prazer e não por obrigação!

Vem então a questão: como dosar de maneira justa? “Por quanto tempo é necessária minha presença e participação nas brincadeiras do meu filho?” Não existe receita pronta, mas vale lembrar que o bom senso pode ajudar! Afinal, é extremamente importante que a criança aprenda também a se entreter sozinha! A ultrapassar obstáculos e desafios sozinha, a buscar criatividade para esse brincar, a ter seus momentos de concentração ao folhear um livro, por exemplo, ou a fazer um desenho que representa algo importante para ela!

Os adultos, muitas vezes, interferem, fazem as coisas pela criança e tiram dela a oportunidade de fazer por si. “Sozinhos” num parque, por exemplo, terão que fazer amizade, caso queiram se divertir em grupo! Se a mamãe ficar o tempo todo brincando com a criança no parque, ela não precisará sair de seu local confortável e seguro, tendo que ir buscar, sair de si, tornar-se ativo. Permanece confortavelmente brincando com a mamãe e pronto!

No caso de irmãozinhos, se precisarem um do outro para brincar, podem aprender a não resolver as coisas brigando, o que significaria brincar sozinho. Disputando sim, mas com limites que não os levem a agressão ou ao desprazer em estarem juntos.

O ser humano é acomodado e se não for “obrigado” a tomar atitudes, pode ficar comodamente parado em uma determinada situação! As crianças não fogem dessa regra! Precisamos deixá-los crescer, aprender a buscar caminhos, a fazer escolhas desde cedo! O convívio social e a troca entre crianças da mesma idade (ou não) é muito rica para todos! Assim se aprende, assim se cresce!

Na escola, normalmente a criança aprende que tem hora para tudo. Em casa pode e deve ser assim também! Há o momento de brincar com os pais, de se divertir, mas há também o momento de brincar sozinho e deixar que os pais possam, por exemplo, dar atenção a visitas em casa, ou de conversarem sobre seus assuntos, etc. Nos finais de semana é a mesma situação: um pouco de brincadeira e diversão com os pais e outro pouco sozinhos ou buscando companheiros de sua idade.

Os filhos precisam compreender como funcionam as regras sociais desde cedo. As pessoas e o mundo não estão a seu serviço! Eles fazem parte, mas não são o centro das atenções durante 100% do tempo, entre 100% das pessoas!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Irresponsabilidade com os filhos!

Foi este o único título que consegui encontrar para externar o que senti ao presenciar pais permitindo e incentivando a filha de 7 anos a desfilar como rainha da bateria no Carnaval. O fato já aconteceu, nada mais poderá ser feito. Com certeza ela continuará a se expor (ou ser exposta) na quadra da escola em que o pai é presidente e tudo mais. O que me preocupa é que NÃO sirva de inspiração ou exemplo aos outros pais que tomaram ciência do fato! E não estou falando apenas do Carnaval. Estou falando da exposição das filhas, do incentivo à sensualidade precoce, da inversão de valores. Estou falando em irresponsabilidade de pessoas adultas que se dizem PAIS!


Conforme a revista Época: “A menina frequenta a quadra da escola desde os 2 anos de idade, quando o pai assumiu a agremiação. Ela desfila com o pai todos os anos, na frente do abre-alas. Aos sábados, Júlia vai à quadra da escola, sobe ao palco, samba e manda beijinhos para os integrantes da bateria. Em casa, também não para de sambar. A mãe conta que ela assistia à novela Caminho das Índias e imitava as meninas dançando. “A gente imaginava que, quando ela crescesse, seria rainha, mas as coisas acabaram acontecendo antes”, diz a mãe. E ainda: Cabe à rainha apresentar a bateria ao público e servir de inspiração aos ritmistas. “ http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI120230-15215,00-RAINHA+DA+POLEMICA.html

Esses pais não tiveram a menor preocupação com o significado da exposição da própria filha, que já está acostumada a se exibir e a usar a sensualidade! Fará isso com toda a certeza em outros lugares e grupos aos quais venha a pertencer. Os pais pensaram, em primeiro lugar, no diferencial da escola, com a finalidade de surpreender o público e assim, a possibilidade de ganharem o Carnaval. Em segundo lugar e que é o motivo mais comum, pensaram em sua própria vaidade, exibindo a beleza e habilidade da filha a milhões de pessoas, entre elas grande parte de pedófilos, com certeza! Ela assiste novela, mesmo havendo a indicação de ser programa impróprio para a idade! Está tudo errado! Será consciente a atitude dos pais? Não posso acreditar nisso!

Pois bem, escrevo para alertar, assim como no artigo anterior, no qual falei sobre o hábito de dar “selinho” na boca dos filhos, alerto agora para o assunto mais específico da sensualidade, muitas vezes precedida por um consumismo exagerado, presentes em nosso dia-a-dia e não é apenas na TV.

Não temos o direito de abreviar a infância de nossas crianças! Elas precisam da infância para amadurecer – física e emocionalmente, para desenvolver suas habilidades inatas, para acumular experiências e conhecimento que servirá de base para o futuro. Assim como engatinhar vem antes de andar, toda a infância é formada e baseada em etapas que precisam ser seguidas, uma após a outra! Incentivar nossas meninas ao salto alto, uso de maquiagem, roupas ou fantasias provocativas, selinho na boca de papai e mamãe, ter “namoradinho” na escola e tantas outras coisas, atropelam essa infância gostosa, divertida e necessária! Vamos pensar nisso seriamente!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

“Selinho” entre pais e filhos: pode?

Bem, acho que não se trata exatamente de tentar responder a pergunta, mas refletir um pouco para que cada um responda por si, já que é um assunto bastante pessoal.


A relação entre pais e filhos tem se mostrado um tanto confusa nas últimas décadas. Hoje em dia, em muitas situações, praticamente confundimos quem são os pais e quem são os filhos, já que vemos pais jovens, atléticos, atualizados, “modernos” – o que é muito positivo, mas desde que os papéis não sejam confundidos.

“O criador da psicanálise, o austríaco Sigmund Freud (1856 – 1939), retomou o mito grego para definir a tendência compartilhada por todas as crianças: o desejo (inconsciente, que fique claro) pela mãe ou pai (o do sexo oposto) e a eliminação daquele que é do mesmo sexo, considerado rival. Claro que não acontece assim, ao pé da letra. O mito entra aí para escancarar as coisas e permitir que a gente entenda mais facilmente todos esses sentimentos complicados.” - Bianca Molica Ganuza, psicóloga e Christian Ingo Dunker, psicanalista e professor-doutor do Instituto de Psicologia da USP.

Na família existe o papel do pai e da mãe – que, juntos, formam um casal que dorme junto, que beija na boca! O papel dos filhos é outro. São crianças e criança não beija na boca, não dorme na cama dos pais, etc. Não é caretice, nada disso. Trata-se de demarcar esses limites de maneira bem clara. Do contrário, fica difícil definir o papel do adulto e da criança. Para ela, criança, dar o “selinho” é o mesmo que namorar? Sendo assim, vemos as crianças ainda pequenas e já com supostos namoradinhos – e incentivados pelos pais, na maioria das vezes.

Criança não beija na boca. Criança não namora! Criança tem amiguinhos mais chegados ou não. Na escola chegamos a ver crianças novinhas que querem até deixar de brincar com os coleguinhas, para poderem andar de mãos dadas no horário do intervalo, estando com seus (suas) namoradinhos(as). Sentem ciúmes, monopolizam, privam-se da infância, sem nenhuma razão!

Para os pais, evidentemente, é tudo apenas uma brincadeira, mas é preciso que se alerte quanto às conseqüências disso. Uma criança de 2 ou 3 aninhos acostumada a dar o “selinho” em seus pais, a tomar banho junto com o sexo oposto adulto ou a dormir na cama do casal poderá, futuramente, desenvolver o conhecido “complexo de Édipo” (personagem da mitologia grega que se casa com sua própria mãe). Mesmo sem ser tão radical, como é que filhos habituados com o beijo na boca dos pais, conseguirá dizer que para beijar o namorado é preciso estar mais “crescido”? Ou então, os pais continuarão a beijar os filhos na boca, mesmo depois de jovens e adultos?

No caso dos filhos que dormem no meio do casal, desenvolvendo em si o direito de estar lá, como fica o casal? Papai dorme com mamãe, papai e mamãe se beijam na boca como namorados. Filhinho (a) não é namorado e, portanto, não beija igual. Beija no rosto, abraça, acaricia, mas nada que se confunda com o carinho ou com o amor do adulto, do casal. Há uma preocupação muito grande (e justa) dos pais, de se atualizarem, de não se distanciarem de seus filhos, mas isso pode e deve ser feito, sem que se abra mão de seu papel, o papel de pai e de mãe, aqueles que representam o porto seguro aos filhos, aqueles que são “adultos”, que orientam, seguram a barra e que deixam muito bem definida a posição de criança e de adulto na família.



Pode se ter a certeza de que os filhos, no futuro, agradecerão muito a seus pais que não abriram mão do papel com a função paterna – no sentido literal de força, de limite e da função materna – de cuidado, proteção.

Amor entre adultos é diferente do amor pelas crianças, pelos filhos. Portanto, o beijo é também diferente e nem por isso menos carinhoso! Que tal incentivarmos a infância de nossos pequenos? Eles irão amadurecer no tempo certo, não precisamos acelerar nada!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Me desculpem os feios, mas beleza é fundamental!




Adaptando a famosa frase de Vinícius de Moraes, quero dar hoje um testemunho, fruto de pura observação da vida, utilizando o conceito de beleza interior, como sendo sim fundamental à existência humana.



Se prestarmos atenção perceberemos, cada dia mais, uma sociedade corrupta, dotada de falsa moral, egoísta, fútil, injusta e maldosa. É cada vez mais raro encontrar pessoas justas, corretas, honestas, generosas, dotadas de valores nobres, como principalmente o respeito pelo semelhante e, mais ainda, pelo “diferente”.



Como educadora, sinto-me abalada com tudo isso, pois percebo muito mais uma regressão do que evolução natural do ser humano. Pior do que isso: são esses adultos egoístas, fúteis, maldosos, superficiais, vazios e materialistas que estão por aí, criando e formando a cabecinha de nossas crianças e jovens! É a valorização do TER humano e não do SER humano!



Tenho bastante contato com a educação e a sociedade canadense, cuja formação das crianças é baseada no respeito pelo outro – praticamente disciplina obrigatória nas escolas - independente de raça, credo, idade ou classe social! Nas escolas – quase todas públicas, evidentemente, não se nota diferença de classe social, origem étnica ou religião! Aprende-se a ser tolerante e generoso desde cedo, convivendo com as diferenças, inclusive a diferença que diz respeito a crianças “especiais” (com síndrome de down, autistas ou portadoras de outros distúrbios). Crianças que crescem em meio às diferenças, aprendendo a respeitá-las, irão futuramente reproduzir o aprendido na escola e, por sua vez, criar seus filhos do mesmo modo e assim sucessivamente! Não é simples? Esse é o modo de se construir uma sociedade e não simplesmente reproduzir o que se apresenta, numa posição passiva, deixando acontecer e sofrendo mais tarde.



O mesmo ocorre no Brasil com relação a perpetuar-se, geração após geração a educação desnivelada, a falta de respeito, intolerância, a injustiça instaurada especialmente entre classes sociais, a desorganização e a lei de se levar vantagem em tudo, mesmo que signifique prejuízo ou infelicidade do outro, o hábito de julgar, apontar, acusar, a valorização do TER sobre o SER, etc. Vemos e vivenciamos pessoas infelizes que, incapazes de lutarem por seu próprio brilho, não medem esforços para tentar apagar o outro. É uma sociedade deteriorada e o pior é que vemos tudo isso, sabemos e não fazemos nada ou quase nada para alterar o rumo das coisas.



Educadores, temos a obrigação de dizer NÃO a tudo isso, a defender e a mostrar às nossas inocentes crianças que podemos ser muito mais felizes ao aplaudir a felicidade nossa e do outro! Podemos ser felizes sendo cooperativos, respeitosos, organizados, disciplinados e honestos! Honestos, no sentido amplo da palavra!



Chega de hipocrisia, chega de alimentar a discórdia, a traição, a maldade e a falta de respeito! Vamos pensar em nossa responsabilidade, enquanto formadores de opinião! Porque é que não podemos ter a mesma sociedade canadense, no que diz respeito à justiça, igualdade de oportunidades, harmonia, respeito e paz?



Se eu pudesse fazer um pedido ao Papai Noel este ano, seria esse o meu maior desejo: toneladas de beleza interior aos feios de alma e muito mais beleza e coragem àqueles realmente belos, que colaboram com a construção de uma sociedade justa e HUMANA! Bom Natal e boas reflexões a todos!

A criança, em casa, precisa de família!

São muitos os pais que frequentemente nos consultam para saber qual atitude tomar diante de seus filhos, em casa, a partir do momento que passam a freqüentar a escola. A dúvida geralmente acontece com pais de pré-escola e de séries iniciais do Ensino Fundamental. A resposta é bastante simples: “Sejam pais! Mais Nada!”

Explicando melhor: à escola e professores cabe a tarefa de ensinar, corrigir, avaliar. Aos pais cabe a tarefa de incentivar, acompanhar, gerenciar, criar ambiente favorável. Parece simples, mas não é!

No dia-a-dia da escola, enfrentamos diferentes tipos de situações: a dos pais totalmente ausentes e que consideram que a criança está na “escolinha”, que é muito pequeno para aprender,etc. Acabam, assim, minimizando a tarefa de profissionais que se dedicam àquilo que representa a base fundamental que garante os próximos anos de escolaridade da criança. Consequentemente, as crianças também não levam a sério, faltam muito, estão sempre atrasadas, não são organizadas, esquecem material em casa, não se dedicam, não fazem as tarefas com capricho, não participam da aula, brincam o tempo todo e, por fim, comprometem seu próprio aprendizado e desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

Um outro tipo bastante comum de pais, refere-se àqueles que querem reforçar o aprendizado da criança, em casa. Escolhe atividades extra, faz perguntas que a criança não está preparada para responder fora de seu ambiente, fazendo com que se sinta insegura e colocada contra a parede. Exercícios a mais, só fazem com que a criança vá para a escola já cansada, entediada, sem vontade, sem concentração, muitas vezes pensando em tudo que gostaria de estar fazendo ao invés de estar na escola. Conclusão: a escola se torna o local da rebeldia, o local em que, longe dos olhos dos pais, pode extravasar sua energia, já que em casa ficou também estudando.

Além disso, há aqueles que fazem as tarefas pelos filhos, sob um disfarce de “estarem ajudando”. Isso é muito prejudicial, já que para o professor na escola, se a tarefa chega certinha, ele não tem como saber que a criança não estava em condições de realizá-la sozinha, evidenciando uma aprendizagem incompleta e insuficiente.

A criança precisa aprender na escola. É lá que está o especialista em educação, responsável por isso. Se não aprendeu, o bom professor precisa saber e investigar as causas da falha: se é com a classe toda, se é metodologia ou conteúdo inadequados, se há algum déficit com a criança etc. Se estiver sempre tudo certinho, é como o analgésico utilizado para baixar a febre e que, usado continuamente, pode estar mascarando uma infecção!

Bem, mas qual a saída? Como devem agir os pais? Refiro-me aos pais, mas me dirijo também aos avós ou babás; ou seja, a quem cuide da criança em casa:


• Para a realização das tarefas, garantir ambiente silencioso, bem iluminado e arejado. Confortável também, é claro!
• Demonstrar interesse e dar uma olhada na tarefa, fazer comentários e mais nada. Ajudar a ler ou interpretar um enunciado e pronto. O resto é com a criança.
• Após realizada a tarefa, checar se realmente foi feita por inteiro, se não ficou faltando nada.
• No caso de pesquisa, auxiliar na busca – dicionário, livros ou internet, mas não incentivar simplesmente cópias. Garantir que haja leitura e entendimento.
• Nas séries iniciais e principalmente na pré-escola, geralmente a lição de casa é solicitada unicamente para criar o hábito de estudo em casa ou, no máximo, para exercitar o que já foi aprendido. Normalmente essas tarefas não representam avaliação da criança. É um hábito que será repetido pelo resto da vida - tanto de estudante, quanto de profissional.

Para o dia-a-dia:

• Ler muitos e muitos livrinhos infantis, adequados à criança. O hábito de leitura começa desde cedo! Se a criança já souber e quiser ler, seja um ouvinte atento, valorize a leitura. Tenha paciência!
• Oferecer jogos e brinquedos adequados também à faixa etária e dar preferência absoluta àqueles que precisam da criança para brincar. Brinquedos que brincam sozinhos são até bonitinhos, mas não estimulam nenhuma habilidade da criança, a não ser a visual ou auditiva. Prefira os pedagógicos!
• Dançar, cantar, brincar, com músicas infantis! É divertido e extremamente educativo!
• Sugerir brincadeiras ou jogos que façam com que a criança se exercite. A vida sedentária é vista também entre as crianças, acostumadas a horas e horas em frente à TV ou vídeo game.
• Ser sempre um perguntador, um motivador que leve a criança a observar o mundo à sua volta, a tecer comentários, a resumir fatos ocorridos, etc.
• Lembrem-se: na hora dos jogos, sigam as regras. É extremamente importante que a criança aprenda a interpretar as regras e a segui-las, como se faz com o enunciado de uma questão de matemática, por exemplo!

Finalizando, papais e mamães que trabalham fora, não se culpem por não acompanharem a realização da lição de casa. Como se vê, há maneiras possíveis de se fazer presente, sem estar literalmente sentado ao lado da criança nesse momento! Aproveitem seu tempo livre! Brinquem, divirtam-se com seus filhos! É muito simples serem pais “educativos”, sem tomarem o lugar dos professores! A criança, em casa, precisa de FAMÍLIA!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O medo de educar um filho





Pode parecer loucura, mas é a pura verdade: medo de se educar um filho. Medo de errar, de perder o amor do filho, de ser acusado, de se sentir culpado; enfim, toda a variedade possível de “medos”.

Que tal relaxar e refletir? Uma criança, quando vem ao mundo, precisa ser adaptada a ele e à sociedade à qual pertence. Isto é fato. O mundo não se rende e nem se importa com um ser a mais. Quem chega é que se adapta – ou não.

Todos sabemos que é regra termos que nos adaptar a qualquer situação nova – por exemplo, quando chegamos a uma festa, o movimento para se integrar precisa ser nosso. Do contrário, corremos o risco de ficarmos de fora. Nós nos adaptamos para sermos bem recebidos, permanecermos na festa e, inclusive, sermos convidados novamente em outras oportunidades, passando a fazer parte do grupo.

Pois bem, voltando para a educação de nossos pequenos: o bebê é egoísta, sente-se o centro do universo e das atenções de todos, evidentemente. Ele tem necessidades fisiológicas e deseja atendê-las. Não aprendeu ainda a compartilhar, a pensar no outro, etc. É tarefa dos pais ensiná-lo. O bebê não nasce já educado! Não tem a menor idéia de organização, respeito, responsabilidade, disciplina, nada! Deseja satisfazer suas vontades e pronto. Os pais, enternecidos com aquela carinha linda de anjinho, não têm coragem de contar-lhes a verdade: o mundo NÃO gira em torno deles e as pessoas, NÃO estão todas a serviço da satisfação do bebê para quando ele quiser. Essa é a verdade. Porque não contar a eles? Porque enganá-los?

Tem hora de mamar, de tomar banho, de brincar e de dormir. Ele ainda não conta com o raciocínio lógico. Então, só nos resta dizer-lhes como é e, caso aprontem aquela choradeira (cada um defende o que é seu e ele usa a “arma” que tem: o choro!), só nos resta deixá-lo chorar, até que perceba que não vai adiantar. Caso contrário, aquele pequeno bebezinho conseguirá fazer com que a casa toda passe as noites acordadas, por exemplo, sem poder dormir de dia (como ele). Isto é real? É assim que o mundo funciona? Novamente: Porque enganá-lo?

Com a criança um pouco mais crescida, é só dar continuidade a essa forma de pensar. É hora da refeição, sentam-se todos à mesa e comem. Não se deve, por exemplo, inventar brincadeirinhas tolas para alimentá-lo. Se comer, se sentirá alimentado. Se não comer, sentirá fome, que é a conseqüência da falta de alimento. Na próxima refeição, deverá compensar a perdida. Simples.

Não há problema algum em seguir uma rotina com regras e disciplina em casa. Os pais são os únicos responsáveis por isso. Se não o fizerem, o filho será duramente cobrado no futuro. É muito mais difícil adequar o comportamento de uma criança “mal educada” depois que cresce, do que educá-la dentro dos princípios aceitos na sociedade a que pertence.

Resumindo, sugiro pensarmos da maneira mais objetiva e real possível, na hora de educar uma criança. Não se perde o amor dela por mostrar-lhe o mundo real. A criança sabe melhor do que nós discernir se está havendo ou não falta de respeito para consigo. A forma de educá-la já é um exemplo perfeito de retidão e respeito. Caso contrário, há os desvios de revolta e questionamento do filho para com os pais. Explicando melhor: é uma falta de respeito tremenda mimá-la e sujeitá-la à sociedade posteriormente. A criança sente quando os pais estão sendo firmes, mas com muito AMOR e gentileza, serenidade.

O mundo não é cor-de-rosa, não está a serviço do bebê, os outros também têm valor – não é só ele que é o melhor e mais importante do mundo para seus pais. A criança de hoje precisa, mais do que nunca, reaprender valores anteriormente engavetados, como honestidade, respeito, disciplina, fraternidade, responsabilidade, etc. Quem respeita a si próprio respeita também o outro e adquire o direito a exigir um ambiente de respeito e honestidade para si. A criança, quando ensinada, sente-se muito mais à vontade com regras, rotina, organização e respeito. Vejo isso todos os dias. O ambiente justo e sereno garante crianças saudáveis e responsáveis. A quebra das regras leva à injustiça e é a própria criança quem nos cobra!

Aliás, é muito mais provável que os pais sejam duramente julgados no futuro, se não mostrarem o mundo real ao filho desde cedo. O mimo é um atraso de vida para todos! É uma mentira estendida por anos e anos, desfeita a duras penas.

No Brasil particularmente, muito provavelmente por causa do ranço de uma educação ultrapassada e baseada na obediência pelo medo e não pelo respeito e autonomia moral, quando se fala em educação levada a sério, a maioria das pessoas se remete a essas lembranças desagradáveis e parte para o outro extremo: o da liberdade sem limites! Sou absolutamente a favor da liberdade de ação e expressão, desde que tenha sido garantida a educação e formação de valores, previamente, quando o jovem era ainda bebê/criança. Insisto em afirmar que criança educada não precisa apanhar! A que apanha, geralmente é produto de mimos da família. Sendo garantida a base sólida, o jovem estará pronto para atuar na sociedade sem nenhum problema – nem para ele e muito menos para os outros!