sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quando consultar um Especialista?

Em minha prática educativa tenho tido a oportunidade de estar em contato com muitos pais de alunos e, assim, tenho analisado bastante a problemática da educação dos filhos. Assim, decidi conversar um pouco com papais e mamães, compartilhando algumas considerações a respeito.

É bastante difícil aos pais saberem exatamente o que, como ou quando agir desta ou daquela maneira e há algumas hipóteses bastante comuns: a culpa por trabalharem fora – especialmente as mães; conseqüente necessidade de recorrerem às babás que normalmente mimam a criança e não educam; desejo de dar ao filho aquilo que não tiveram – tanto no sentido material quanto emocional; acesso desmedido das crianças aos bens de consumo e tecnologia – filmes e programas na TV, vídeo-game, computador; pais que são produto de uma educação castradora e que agora foram para o outro extremo, tornando-se permissivos demais; entre muitas outras.

Pois bem, o quadro geral que temos hoje em dia é o seguinte: crianças inseguras e dependentes, choronas, mal comportadas, rebeldes, agressivas, intolerantes, extremamente agitadas, insatisfeitas, indisciplinadas, desorganizadas, com medo de crescer, tímidas e por aí vai. O pior de tudo isso são as conseqüências: adolescência problemática, distante dos pais, irresponsável, vulnerável a tudo e a todos, levando a uma juventude e vida adulta com as mesmas características de personalidade sendo o indivíduo, muitas vezes, rejeitado pela mesma sociedade que ajudou a criá-lo desse modo. Segundo o dito popular muito antigo, “é de pequeno que se torce o pepino” = um pouco agressivo, já que não precisamos “torcer” ninguém, mas que é de pequeno que se educa, forma a personalidade, caráter e prepara para a vida saudável em sociedade, isso é a mais pura verdade!

Muitos poderão concordar comigo, mas perguntar: então, o que e como fazer para resolver a situação? Como saber se estamos no caminho certo? Invariavelmente e sem exceções, todos os pais com quem convivi e convivo até hoje querem acertar, querem o melhor para seus filhos! Ninguém erra por querer. Erra se, ao tomar consciência, não agir!

Há muita literatura disponível no mercado, mas acredito que para agir diretamente e de forma abrangente, o ideal é procurar um especialista na área. O terapeuta familiar nesses casos é o mais indicado, justamente porque a família deve se reorganizar como um todo. Não é a criança que precisa de um psicólogo... e quando dizemos que os pais é que devem se consultar, é porque a formação das crianças depende essencialmente do equilíbrio da família. As crianças refletem a educação, a formação que recebem – da família e da escola.

Já me deparei com muitos pais que dizem não “precisar” de psicólogos, psiquiatras ou terapeutas para realizarem a tarefa mais básica, que é a da educação dos filhos e esses geralmente são os que mais precisam! Já é tempo de sermos mais humildes e recorrermos ao especialista em educação infantil com a mesma naturalidade com que recorremos ao pediatra, odonto-pediatra, fisioterapeuta... O que não se concebe mais é permanecer no erro, achando que as crianças de hoje, com todo o acesso à informação que têm, podem continuar sendo criadas da mesma maneira como os pais foram educados... ou, por outro lado, serem produto de uma educação absurdamente permissiva e super protetora, onde criam-se crianças tiranas, que tomam conta da situação e, muitas vezes, levam os pais a perder totalmente o controle, apelando para a violência física! Nenhum extremo é benéfico! Pense nisso! Nossos filhos são o produto daquilo que fizemos (ou não) por eles, na infância, especialmente na 1ª. infância, até os 7 aninhos...

Estou cansado e infeliz!

Tenho hoje 15 anos e me sinto cansado e infeliz! Não tenho amigos, não sei como conquistá-los e mantê-los comigo. Não tenho vontade de ir à escola e me sinto culpado. Quando vou e realizo minhas tarefas, sou inseguro, tenho medo de errar e de me expor. Quero dormir quando não estou na escola e, às vezes, durmo debruçado na própria carteira da escola. Chegando em casa, me alimento compulsivamente, do mesmo modo como quando vou fazer algum passeio e quero adquirir tudo que estiver à minha frente, também de modo desmedido! Nada me satisfaz, sempre tenho um “algo a mais” para comprar! Não gosto de conversar com meus pais, nem com ninguém adulto. Eles estão sempre querendo descobrir coisas a meu respeito, fazem-se de amigos com o único intuito de me criticarem, descobrirem o que não há para ser descoberto. Ando sozinho, me chamam de esquisito. Mudo meus estilos de roupas, jamais consegui concluir um curso – me interesso, mas logo desisto, desanimo. Não tenho a menor idéia da carreira que desejo seguir. Meu pai é Doutor, todos esperam que eu também o seja, mas eu não quero, sei que jamais serei “bom” como ele!

Fiz terapia quase que minha vida inteira e ainda faço, mas nunca resolvi os “meus” problemas. Sempre foram tratados os problemas que meus pais enxergavam em mim. O terapeuta falava, falava, me especulava e depois contava tudo aos meus pais, que jamais mudaram de atitude comigo. Evidentemente, com o passar do tempo, aprendi a dizer apenas o que me interessava que meus pais soubessem. Ao menos, acho que aprendi a fazer uma auto-análise:

Nasci fruto de um casamento bonito, com pais elegantes, inteligentes e muito bem relacionados. Família exemplar, com muitos primos – todos melhores do que eu, é claro. Amigos? Nunca precisei conquistá-los e fazer de tudo para mantê-los. Meus pais cuidavam disso, como cuidavam de todo o resto da minha vida. Eu tinha os amigos que meus pais atraíam para casa – ou por darem discretos presentes, ou passeios fantásticos, guloseimas variadas em casa... não sei. Só sei que nunca me faltaram “amigos”. Entretanto, jamais tive uma amizade duradoura. Em disputas, era sempre eu aquele que tinha razão e, se algum amigo não me agradasse, era só descartá-lo e atrair um outro. Simples assim! Brinquedos, jogos, sempre tive em excesso! Era só pensar e lá estavam todos à minha inteira disposição. Aliás, se meus pais quisessem algo especialmente bem feito de minha parte, era só me darem o preço e então eu fazia o que eles quisessem. Quando criança, a “moeda” era os brinquedos e, hoje, são roupas, celulares novos e avançados, computadores mais e mais modernos, dinheiro para a balada, viagens...

Desde muito pequeno, antes e após o horário da escola, sempre tive muitas obrigações: esportes, artes, música, professores particulares – estes nunca faltaram, minha vida toda! Sim, porque meus pais nunca encontraram uma escola que os agradasse totalmente e, além disso, por toda a minha vida sempre houve um amiguinho que soubesse mais do que eu, que contasse até números mais altos do que eu, que lesse melhor, que tivesse uma letra mais bonita ou que fosse o máximo no futebol! Então, lá ia eu para me especializar – em tudo e mais um pouco! Meus pais sempre disseram que nessa vida competitiva, é preciso estar preparado mas... será que “em tudo” e de uma só vez? Deveria eu ser o melhor em “tudo”? Seria possível? Se era possível eu não sei mas, de qualquer modo, não consegui e por isso me sinto derrotado.

Nessa tal competição, aprendi que não importa de fato o que acontece. O importante é saber relatar os fatos do nosso jeito e nisso sempre fui muito bom! Apesar de ser sempre muito criticado em casa, perante os “de fora”, sempre tive razão em tudo! Isso era bastante confortável, já que para os olhares externos eu sempre fui uma criança perfeita! Bati muito em meus coleguinhas na escola, meus pais diziam que não sabiam mais o que fazer comigo – apesar de não fazerem nada, a não ser dar alguns pequenos “sermões” chatos e cansativos - entretanto, cresci com uma única brincadeira com meu pai: lutar, ser forte, vencer! Sempre ganhei dele nas lutas, nunca entendi porque entre meus amigos isso não era possível. Será que eles não brincavam assim em casa? Com o tempo, fui disfarçando esse meu comportamento e pouquíssimas vezes fui “pego” em flagrante. Era só usar aquela carinha de inocente que aprendi e pronto! Estava tudo certo!

Meus pais sempre quiseram o melhor para mim, eu sei. Idealizaram uma criança quando eu ainda estava na barriga da minha mãe. Fui desejado e bem-vindo, mas acho que jamais fui olhado como um ser humano com competências e fraquezas. Com habilidades e dificuldades. Com atitudes certas e outras absolutamente reprováveis. Então, é como se tivessem feito de mim um bonequinho perfeito com roupas, brinquedos, escolas caras, cursos de especialização, e tudo mais que pudesse ser mostrado e comparado com os outros. Embora o discurso fosse que eu era único, um orgulho e etc (deviam ser palavras do terapeuta), na prática sempre fui comparado e quase sempre julgado como aquém do ideal.

Hoje me vejo perdido, não confio em ninguém, não tenho amigos, muito menos vontade de ir adiante. Faço pose de bonitão, inteligente, seguro e divertido. Às vezes, só para me divertir, assumo a personalidade do “revoltado” e deixo todo mundo desesperado – isso me diverte. Sei que sou incompetente, jamais serei o Doutor que meus pais sonharam e, mesmo que seja, jamais serei competente como meu pai. Aprendi a ter uma vida superficial, em todos os sentidos!

Estou cansado e infeliz...

Educação Infantil: que espaço é esse?

O bebê nasceu e, passando a fase inicial dos primeiros cuidados, chega a próxima preocupação: a Escola! Quantas dúvidas, quantos medos, teorias...

Faço inicialmente uma reflexão a respeito do significado dos termos “Educação Infantil / Pré-Escola”. Ambos nos remetem a uma preparação da criança para a escolarização. Antigamente confundia-se a pré-escola com a creche e hoje já se sabe que são locais diferentes, com diferentes propostas. Entretanto, vejo a maioria das pessoas confundindo a Educação Infantil e/ou a Pré-Escola com a Escola de Ensino Fundamental, o que também não é correto.

Mas, então, que espaço é esse de Educação Infantil? Para que a criança freqüenta a Pré-Escola? É bastante simples: para que seja uma criança “completa”, desenvolvida em todas as suas potencialidades adequadas à idade e que, ao ingressar no ensino fundamental, esteja absolutamente preparada, pronta, para adquirir conhecimentos formalizados.

Trocando em miúdos: é na Educação Infantil que a criança tem a oportunidade de desenvolver as habilidades artísticas, motoras, de convívio social, raciocínio lógico, criativo, comunicação verbal, expressão corporal... ferramentas fundamentais para seguir em frente, seja na escola, na família, nos grupos sociais aos quais venha a pertencer.

Portanto, a Educação Infantil/Pré-Escola é coisa muito séria! Para muitos, a criança pré-escolar vai à “escolinha” (termo que diminui bastante a importância da pré-escola) unicamente para passar o tempo e brincar. Vai mesmo, mas tudo, absolutamente tudo é planejado e tem uma finalidade muito importante. É na brincadeira livre com os outros que a criança irá aprender a maioria, senão todas, as regras fundamentais do convívio social.

Com os bloquinhos de construção, estará construindo conteúdos matemáticos, desenvolvendo sua habilidade para soluções de problemas. A magia das estorinhas infantis lidas constantemente pela professora (não “tia”, mas professora!) a criança irá despertar a curiosidade pelo letramento, terá o desejo de aprender a ler e a escrever. Na observação do que ocorre quando se planta a semente do feijão, despertará para o pensamento e observação científica. A exploração dos diferentes sons produzidos por instrumentos e outros objetos, o gosto pela música, o ritmo, a harmonia, tudo isso está na Educação Infantil! Manipulação de objetos e consciência dos órgãos dos sentidos, noção de espaço e lateralidade, a mistura das cores, a possibilidade de criar, inventar, imaginar, enfim, é muita coisa para que se descarte ou minimize a importância da educação infantil ou, muito pior, se acelere o processo e se reduza todo o trabalho para alfabetizar a criança o mais rápido possível, para que ela seja a primeira da família, entre os priminhos, a “recitar” números até 10 ou até 20, sem que tenha a noção de quantidade, volume, comprimento.

Galos na testa, joelhos ralados, roupa suja, compartilhar o brinquedo, lidar com a frustração também se faz necessária na participação ativa neste 1º. grupo social ao qual a criança está sendo inserida, sem ser o grupo familiar. Quando se fala em respeito pelos “Direitos da Criança” há que se incluir o respeito pela infância, o respeito pela individualidade e pelo ritmo natural de desenvolvimento de cada uma de nossas crianças!

Seu filho não é um "aborrescente"

Esta expressão, 'Aborrescente' (utilizada tanto para meninos como para meninas) está se tornando mais comum, a cada dia que passa. Isto muito me preocupa, pois denota numa desvalorização de um dos mais sérios e difíceis períodos de desenvolvimento do Ser Humano. A partir dos 11 ou 12 anos, começam a ocorrer inúmeras transformações, tanto biológicas quanto psicológicas, que precisam e devem ser respeitadas, compreendidas, toleradas. Espinhas, Gordura, Magreza, Crescimento acelerado, mudanças nos cabelos, tudo isso e muito mais, de uma só vez e causando no(a) adolescente muita insegurança, especialmente por ser ou não aceito pelo grupo ao qual pertence. Além disso, ocorre o despertar da sexualidade e o medo de não ser correspondido (a). É nesta fase também que podemos observá-los reproduzindo os padrões de beleza e de comportamentos, impostos pela Mídia. Isso acontece porque, justamente no período de inseguranças e incertezas, o(a) Adolescente procura por Modelos, para que possa se identificar como 'novo adulto', e se os modelos da Família não forem fortes o suficiente para conduzi-lo(a), a Mídia e outros ógãos de influência se tornam muito mais convincentes e atraentes. Sendo o Lar Amistoso e Agradável, dificilmente o(a) Adolescente se deixará levar pelas influências externas. Por outro lado, em Casa e na Escola, as cobranças também se modificaram e agora todos dizem que 'ele/ela' não são mais crianças, que têm obrigações, que devem se comportar desta ou daquela maneira... Será que não são mesmo mais crianças? 'Ele/Ela' então se perguntam porque ainda não podem fazer tantas coisas... O(A) Adolescente não entende essas mudanças repentinas de cobranças, nem de posições do Adulto, nem da Sociedade. É também a fase em que muitos reivindicam a privacidade, recolhendo-se no quarto, falando horas ao telefone, etc. - no que não são respeitados! Há ainda as divergências entre pais e filhos, o choque de gerações, traduzindo-se muitas vezes em brigas, agressões, etc. Bem, diante de tantos problemas e apoiando-me em estudiosos da área (por ex., o Dr. Içami Tiba, Psiquiatra especialista em Adolescência), concluo que um dos grandes problemas causadores de tantas divergências e, inclusive, do termo pejorativo 'Aborrescente', está na Infância. Quero dizer que a Educação do(a) Adolescente se inicia no berço! Se o bebê e a criança forem criados sem limites, sem respeito, sem definições dos papéis, em casa, é praticamente impossível lidar com o adolescente que, com certeza, será rebelde, contestador, mentiroso, etc. Mimos na Infância tornam-se incontroláveis na Adolescência... Do mesmo modo, se 'ele/ela' não encontrarem em casa um Porto Seguro, um Amigo, desde pequenos, certamente, ao crescerem e atingirem a Adolescência, irão se afastar da Família ainda mais, procurando fora de casa a compreensão que tanto necessitam. A Criança é educada na Família e também na Escola; portanto, se ela se tornar 'Aborrescente', a culpa maior não será dela... É preciso que fique claro que pais amigos também colocam limites! O grande erro é a radicalização: ou os pais são permissivos demais, ou autoritários demais! Como tudo na vida, o meio-termo é o ideal: pais amigos, compreensivos, sensíveis a tantas transformações, mas com a autoridade suficiente de quem zela por alguém tão querido! Falo agora também como Mãe, reconhecendo que nós, pais, não somos perfeitos - aliás, o Ser Humano não o é - e nosso aprendizado é constante; só precisamos estar cientes de nossas imperfeições, para que isso nos leve a querer acertar!

A criança e a sociedade

“O Ser Humano é um Ser Social e que tem necessidade de viver em Sociedade” – isso, todos sabemos. Mas como e quando é que começa essa sociabilização? Na verdade, assim que a criança é concebida ela começa a receber influências do meio externo e, consequentemente, o processo de sociabilização já se inicia. Nos primeiros anos de vida, a criança se sociabiliza com a família e, por isso, para ela, esse é o único mundo existente. Nessa fase ela não tem noção da existência de outros “mundos”. Portanto, a família é o 1º Grupo Social do Indivíduo. Normalmente, o 2º Grupo Social é a Escola; ou melhor, a Pré-Escola. Se observarmos atentamente os primeiros dias da criança na Pré-Escola, notaremos as mais diferentes reações, mas a grande maioria demonstra insegurança, estranheza, medo, etc. É o “outro mundo” que ela não conhecia e do qual ela agora faz parte – isso exige um certo tempo de adaptação. Dessa forma, os anos vão passando e a criança, adolescente, jovem, vai sendo inserida nos mais diversos Grupos Sociais e o processo é o mesmo: estranheza, insegurança, análise do ambiente, adaptação (ou não). A grande dificuldade da adequação ou não do indivíduo aos novos grupos tem explicação pelo fato de que ele traz consigo valores, modos de vida a ele incorporados pela família nos seus primeiros anos de vida – o que até então formou sua personalidade. A influência recebida na 1ª Infância é a mais significativa, mais forte e muitas vezes, para ser inserido em algum outro Grupo Social, o indivíduo precisa ser flexível, maleável com seus antigos valores para poder incorporar novos – essa transição é bastante difícil. Na fase escolar, é fundamental a compreensão dos pais e respectivo auxílio no sentido de incentivar a sociabilização da criança/jovem ao novo Mundo Social: deixar que ele participe de Festas, Excursões, Grupos de Trabalho, que tenha tolerância com seus amigos, enfim, que participe ativamente e de modo natural da vida social daquele momento. Segundo os especialistas, o Indivíduo será considerado “sociabilizado” a partir do momento em que admitir a existência do “outro” e do mundo; o que ocorre normalmente a partir do momento em que ele entra na Escola. Mas nesse ponto, quero ressaltar a visão e experiência de educadora. Considero que admitir a “existência do outro” e do mundo externo à Família é algo muito mais profundo! O momento da sociabilização de fato é quando o Indivíduo consegue enxergar dentro de si o respeito pelo outro, num sentido amplo: respeito pelos direitos do outro, por suas tristezas, por suas alegrias, por suas limitações, por suas potencialidades, etc. Do mesmo modo, é quando ele consegue enxergar o “todo social”; ou seja, quando ele consegue ter a visão de que ele é apenas “uma gota (extremamente importante) no oceano”. É o momento em que ele percebe que todos os seus atos e/ou omissões têm efeito no todo, por menores que sejam. É o momento em que ele compreende que cada Indivíduo precisa fazer a sua parte na colaboração de uma Sociedade melhor, que não é mais possível “passar pela vida em brancas nuvens”, sem deixar nenhuma contribuição. É entender que é possível enxergar o outro e o Mundo à sua volta, dentro de qualquer grupo social, seja no Trabalho, na Escola, no Clube, na Igreja, o que importa enfim, é a consciência. Nesse sentido, quero chamar a atenção dos Professores e dos Administradores Escolares, pois de maneira geral, todos entendem essa sequência de adaptações no que diz respeito à sociabilização do Indivíduo. Portanto, é a Escola que pode e deve auxiliar, incentivar, proporcionar situações de sociabilização – não só nas Festas Escolares como também, e principalmente, no dia-a-dia de Sala de Aula, na integração dos alunos aos grupos, no respeito pela troca de pontos de vista, no reconhecimento de um pelo outro – além, é claro, no esclarecimento dos pais na importância dessa integração! Assim, alunos, Professores, Pais, poderão sim ser chamados Cidadãos Ativos de uma Sociedade em constante Evolução!!!

A difícil escolha pelo magistério

Toda escolha é precedida de uma tomada de posição. Na grande maioria das vezes, essa tomada de posição exige rompimentos com antigos valores, com influências externas, etc. Refiro-me hoje à escolha pela carreira do Magistério... É evidente que todas as carreiras têm sua importância no contexto social, mas o Magistério forma os futuros cidadãos, as futuras gerações! Por nossas mãos passam os futuros Engenheiros, Médicos, Bancários, Comerciantes, Professores, Administradores, Políticos, etc. A competência ou não desses futuros profissionais começa a ser desenvolvida desde muito cedo, e é à essa reflexão que convido o leitor. Para escolher a carreira do Magistério, não basta absolutamente 'gostar de criança'. Essa é uma visão muito simplista... É necessário, é fundamental, ter paixão pelo desenvolvimento pessoal e intelectual de toda a humanidade!!! É também necessária a conscientização de que a criança que tem hoje sete anos, no ano 2.014 terá dezoito e estará entrando na Universidade, ou seja, fazendo sua opção profissional. O caráter desse adulto começa a ser formado na família e na escola, agora! É esse histórico de vida que irá influenciar suas decisões futuras. Como estará o mundo no ano 2014, por exemplo? Essa é uma das grandes preocupações que deve acompanhar o professor: projetar suas aspirações para o futuro! Que conseqüências trarão o seu envolvimento no ensino das crianças de hoje? Se o ensino for nivelado por baixo, teremos cidadãos 'incompletos' para o Terceiro Milênio - especialmente os de baixa renda. É isso que pretendemos para nossa sociedade? Reproduzi-la de forma elitista? A esperança de transformação da sociedade deve partir de nós, Educadores. Afinal, somos modelos para nossos alunos. Precisamos acreditar e educar igualmente as crianças, independente da classe social a que pertençam. É claro que o ponto de partida é a 'bagagem cultural' do aluno, mas o objetivo deve ser o de suprir possíveis deficiências e acelerar a aprendizagem ao máximo possível. Esse aspecto abordado até aqui refere-se à conscientização dos Professores do Ensino Infantil, Fundamental e Médio. Mas... nesse ponto, quero lançar uma questão: Quem forma esses professores que precisam, mais Do que nunca estar conscientes de sua importância político-social? As Universidades, em seus Cursos de Licenciatura! É necessário portanto, que esta discussão seja levada para dentro das salas de aula de formação de professores. Está também nas mãos dos Professores Universitários a responsabilidade de despertar nos futuros professores o Senso Crítico e a consciência de que, ao optar pela carreira do Magistério, ele precisará ultrapassar suas próprias limitações, precisará romper com a 'mesmice' que, infelizmente, se nota hoje entre muitos (não todos) profissionais da Educação. O futuro professor que ainda ocupa os bancos escolares precisa, além de todo embasamento teórico, ser trabalhado, desenvolvido, em sua capacidade de reflexão crítica da realidade, tanto escrita como falada. É na Universidade que esse futuro professor precisa desenvolver o poder da palavra, da argumentação. Precisa enfim, ser autônomo, buscando o conhecimento, sentindo a necessidade constante de aprimoramento. O professor somente irá despertar prazer nas crianças em aprender, se ele próprio tiver esse prazer. Portanto, é tarefa do Professor Universitário desenvolver esses futuros professores em todas as suas potencialidades, utilizando-se das teorias educacionais para que sejam aplicadas na prática pedagógica. Do contrário, perdem o sentido, ficando 'soltas' e, consequentemente, sem significado. É hora de dizer um 'basta' ao discurso vazio e partir para a ação em busca de um mundo melhor!!!

A leitura está fora de moda?

A grande maioria dos Educadores concorda que não se pode conceber a Educação sem o hábito da leitura. Ocorre que essa concepção, infelizmente, não passa de mais uma das tantas teorias discutidas e não aplicadas. Percebo como Professora que, em sala de aula, a leitura de um bom livro ainda é entendida como 'perda de tempo', ou como algo desagradável e imposto. Não podemos culpar os estudantes - o exemplo é nosso! O tempo passa, mas o professor continua sendo o modelo, e se ele não tiver o hábito e o prazer da leitura, certamente não conseguirá fazer com que seus alunos criem o hábito ou sintam o prazer da leitura. Precisamos levar em consideração que a vida moderna é realmente muito corrida, mas para quem gosta de ler sempre há tempo! Pretendo neste momento refletir com o leitor a respeito dessa vida moderna, a qual reflete o desenvolvimento do Ser Humano. A Tecnologia hoje é encarada como 'fim' e não como 'meio' de facilitar e agilizar os trabalhos cotidianos. A Tecnologia é fundamental, mas para que nos sobre mais tempo para desfrutar da vida e não para nos escravizar! Se repararmos na decoração dos quartos infantis, notaremos itens como brinquedos variados, 'video-games', computador, televisão, aparelho de som, etc. Quantos pais têm a preocupação de colocar à disposição das crianças livrinhos infantis, ou até mesmo gibis variados? O exemplo não vem somente do professor, vem dos hábitos familiares, principalmente. Mesmo quando a criança ainda não pode ler sozinha, quantos pais têm o hábito de ler histórias infantis para seus filhos? Lendo para as crianças, estas descobrem sozinhas o tão falado 'Mundo Mágico' da leitura e, dessa forma, com o tempo e com os livros à disposição, elas certamente irão, aos poucos, procurá-los para ler. O professor por sua vez, além do incentivo e do exemplo, precisa ir muito mais além. Leitura e Escrita caminham juntas; portanto, paralelamente ao trabalho de incentivo à leitura, se faz necessário o incentivo à escrita. A escrita exige conhecimento da língua em termos gramaticais e ortográficos, da mesma forma que exige imaginação. Porém, é comum que os professores de Redação iniciem seu trabalho com 'Descrições' de objetos que nada têm a ver com as crianças. São atividades válidas, mas que poderiam ser muito mais proveitosas se habituassem os alunos a observar e a descrever a natureza, por exemplo. A sensibilidade pode e deve ser despertada o mais cedo possível. Sair da sala de aula e observar o vôo dos passarinhos, bem como seu canto; descrever uma mesma flor, ou árvore e depois comparar e discutir as observações... Essas e outras atividades, além de estimular a imaginação, resgatam valores esquecidos nesta nossa vida moderna, mas que nem por isso estão fora de moda. Assim como a leitura de bons livros exige sensibilidade, e prazer, proporciona acesso à cultura, à ampliação do vocabulário, etc. Amor à Natureza não se ensina! Este é estimulado, vivido! Mas de que forma, se nós também não nos damos o direito de parar e ouvir com o coração o barulho de uma cachoeira, ou o canto de um pássaro, ou a vida em sociedade das abelhas ou formigas, o barulho da chuva... Estou na verdade falando de sensibilidade, percepção, amor, criatividade, imaginação, ingredientes indispensáveis aos novos cidadãos que pretendemos formar. Mas para isso, os professores, os pais e toda a sociedade precisam acreditar que esses valores precisam ser resgatados com urgência! Uma vez realizado um trabalho sério de resgate de valores, incluindo o interesse por saber sempre mais, aí então pode-se e deve-se utilizar a tecnologia, uma vez que esta também oferece ferramentas que conduzem à cultura, ao desenvolvimento, e à facilitação da vida moderna! Um cidadão culto e sensível jamais se deixará escravizar pela tecnologia. Concluindo, objetivamos que nossos alunos também sintam o prazer que sentimos na companhia de um bom livro e entendam que a leitura jamais estará fora de moda!

A mola mestra da educação

Muito se tem falado sobre Autonomia na Educação. Sua real importância é reconhecida na Escola Formativa, que dá ênfase à formação geral do indivíduo. A sociedade atual precisa de um novo cidadão, que seja mais justo, mais humano, mais livre, mais feliz. Nesse sentido, a Escola tem a grande responsabilidade de 'dar espaço' para o aluno desenvolver essas qualidades, através da autonomia moral e intelectual. A Escola precisa trabalhar valores (autonomia moral) no dia-a-dia, assim como encorajar os alunos a pensarem de forma ativa e crítica (autonomia intelectual). O aluno precisa compreender que o estudo o levará ao desenvolvimento global e não apenas a obter um bom emprego (o emprego é apenas consequência). Porém, o que se observa na realidade, é que em algumas escolas, os alunos são levados a 'recitar' respostas certas e raramente são questionados sobre o que pensam de fato. É inconcebível que, com tantos avanços tecnológicos, de comunicação e da ciência, o aluno seja por vezes encarado como 'um recipiente, que retém o que é entornado em sua cabeça' (segundo Dra. Constance Kamii, aluna fiel de Jean Piaget). Apenas para ilustrar, os grandes cientistas da história têm sido autônomos o bastante para permanecerem firmes em suas posições, para só depois de muito tempo serem reconhecidos. Ao contrário, o heterônomo (sem autonomia) é ingênuo, acredita em tudo que houve e vê, não reflete criticamente, em suma, não tem opinião própria. É frequente ouvirmos professores universitários reclamarem que seus alunos não estão acostumados a emitir opiniões, trabalhar em grupos, ou trocar pontos de vista. Essas aptidões são inatas ao ser humano; basta que sejam desenvolvidas desde as séries iniciais do Ensino Fundamental. Não se pode, no entanto, desprezar os conteúdos, uma vez que a Matemática, as Línguas, os Fatos Históricos, a Arte, etc. fazem parte da cultura geral da sociedade. É através desse reconhecimento que o indivíduo pode ser autônomo de fato. O professor, além de preocupar-se com a sua disciplina específica, precisa também preocupar-se em desenvolver a autonomia em seus alunos. Para atingir esse ideal, o educador (segundo Rubem Alves) precisa ter prazer em ensinar e proporcionar prazer ao aluno, em aprender. Afinal, mais do que técnicas e teorias, o prazer é ainda a Mola Mestra da Educação!

As responsabilidades do educador

'Quais são as responsabilidades do Educador?' Esta questão tem gerado muitas discussões nos meios educacionais. Não raras vezes o Professor é confundido com um membro da Família do Educando, ou ainda com Conselheiros Psicológicos, com Líderes Espirituais e outros, desviando-se do real sentido da profissão de Educador. Muitos Educadores gostam disso, pois assim passam a ser heróis, fonte de confidência dos alunos, os 'amiguinhos' da turma, deixando de cumprir seu papel, único e claro: Educar, formando cidadãos conscientes. Gostaria de convidar ao leitor e à leitora para fazermos uma reflexão sobre este assunto. No 'Aurélio' está clara a definição de formação: 'Constituição, caráter, maneira porque se constituiu uma mentalidade, um caráter, ou um conhecimento profissional'. A própria LDB 9394/96 é bastante incisiva, no que se refere à formação do cidadão, na Escola. Portanto, espera-se do Professor a preocupação, tanto com o desenvolvimento específico de sua disciplina, quanto com a formação ética e moral do mesmo; ou seja, de seu caráter. É evidente que o Professor não é o único responsável pela formação do cidadão. A Família ainda é a maior responsável. Mas a Sociedade não pode mais aceitar uma Educação retrógrada, que incentive e desenvolva unicamente a capacidade de memorização (treino de Vestibular) ou preparação técnica (profissionalizante). Isto, porque esta mesma Sociedade necessita de muito mais. Necessita de Professores competentes, especializados, cultos e atuantes. Professores que se comprometam com a formação do cidadão, no sentido literal da palavra. Valores como a consciência de sua Cidadania (inclusive o Amor à Pátria, com a visão da possibilidade de intervenção em todos os setores da Sociedade), respeito por si e pelo próximo, desejo de continuidade constante nos estudos, no aperfeiçoamento e muitos outros, devem ser incorporados, vividos, no cotidiano escolar. Porém, esta educação abrangente somente poderá ser real se o Professor estiver disposto a vivenciar a competência e a humanidade requeridas - do contrário, será uma atuação falsa. Precisamos nos lembrar sempre que o Professor é e sempre será um formador de opiniões, um modelo para seus alunos, que aprendem muito mais pelo exemplo do que pela palavra. É necessário portanto, que ele utilize essa sua influência de modo positivo e acredite realmente na sua força, enquanto Educador. Como Educadora e como Cidadã, acredito firmemente que o Brasil - independente de qualquer interferência negativa - pode e deve retomar o desenvolvimento 'moral', pois o 'econômico' é consequência. Sendo assim, concluo que o único local possível de se iniciar uma mudança radical e imediata é na Educação; pois é lá que estão as novas gerações, as quais, se forem bem orientadas, poderão desfrutar de um país muito mais desenvolvido que o atual... e, é claro, muito mais feliz!

Com a educação e com o afeto, faço meu tempo predileto!

Em qualquer área ou situação da vida, o afeto entre as pessoas é fundamental, o que inclui necessariamente as relações no trabalho. Mais ainda, se esse trabalho for na área de Educação, onde o produto é o Ser Humano. Na Escola, a relação humana se dá a todo instante, entre Faxineiros, Porteiros, Auxiliares, Secretários, Professores, Coordenadores, Diretores e, principalmente, com os Alunos. Como na Família, é preciso que todos os membros vivam em harmonia, o que só é possível a partir da afetividade existente entre todos. É importante destacar aqui, que antes de existir a harmonia do grupo, é preciso que haja a harmonia interna de cada um dos membros desse grupo. Não se pode ficar estático, esperando a paz e a harmonia dos outros. É preciso buscar a harmonia, a paz, a alegria, consigo mesmo, com o interior de cada um. Dessa forma, cada um pode então estar contagiando o outro e até mesmo 'provocando' a alegria, a paz e a harmonia do grupo. Tenho a convicção que, deste modo, o Magistério é uma profissão privilegiada, que proporciona momentos inesquecíveis em nossas vidas, da mesma forma que a Família. Assim, até mesmo as 'broncas' são dadas com amor e por amor. Amor pelo desenvolvimento humano, responsabilidade pela formação das novas gerações, energia trocada a cada conquista, apoio e amparo diante das dificuldades e todo o Afeto existente entre Amigos. Acredito na Educação, justamente por acreditar no Ser Humano. Muitos falam em preparar o Aluno para uma vida futura solidária, competente, criativa, etc. Eu defendo a Escola que vive desde já a solidariedade, a competência, a criatividade, etc. Todos juntos, do mais simples funcionário até o Diretor - como na Família. Este é o grande segredo: UNIÃO. União de alegrias e de ideais. E para que haja união, é necessário que haja Respeito, Ordem, Disciplina, Tolerância, Boa Vontade e Afeto! Se em cada Escola houver a preocupação e o cuidado com o desenvolvimento do Afeto e da União de todos, com o passar do tempo, e aos poucos, o sentimento irá gradativamente se 'alastrando' a outros setores da Sociedade. É preciso acreditar que seja possível - basta querer! Pessoalmente, posso prestar o testemunho desta experiência e afirmar com tranqüilidade que, apesar de todas as dificuldades, o Magistério vale a pena - a receita? Com uma pitadinha de açúcar e um pouco de afeto, sempre podemos fazer NOSSO TEMPO PREDILETO!!!

... e as férias estão chegando!

Junho, Festas Juninas e Julho... Férias, finalmente! Descansar, dormir, não fazer absolutamente nada! Esta é a idéia geral, que a maioria das pessoas tem, ao vislumbrar a proximidade das Férias; o que, aliás, é bastante natural, em virtude da vida corrida dos dias atuais! Estudar, crescer, desenvolver, fazer Cursos... Não? Sim! Claro que sim, pois perdemos justamente a oportunidade de nos dedicarmos intensamente ao estudo, ao crescimento pessoal rumo ao desenvolvimento, a freqüentar cursos que no dia-a-dia tornam-se impossíveis, em virtude da falta de tempo... Refiro-me a todos os profissionais e estudantes em geral, mas especialmente, é claro, aos Professores, esses que estão sempre dizendo aos alunos que precisam despertar para o imenso prazer de aprender... É interessante, mas percebemos que é algo realmente cultural, esperar as Férias para não fazer absolutamente nada de proveitoso, como se estudar, aprender, não fosse algo agradável. Justamente no período de férias, estamos descansados, com menos preocupações, situações tremendamente favoráveis à aprendizagem, todos sabemos - e não aproveitamos! Existem muitos cursos de férias - e, falando aos Professores, inúmeros Cursos Intensivos de Férias - especialmente organizados para as pessoas que não têm tempo normalmente. É comum os Professores dizerem que a aprendizagem não ocorre somente na Escola, porém, uma boa parte deles não presta atenção nas inúmeras oportunidades de cultura que deixa 'escapar'... no momento de escolher um vídeo na locadora, por exemplo. Preocupar-se em escolher um Filme que acrescente algo, em termos de cultura, de filosofia de vida, enfim, que colabore no seu crescimento. Aproveitar o tempo disponível para visitar um Museu, ou uma Biblioteca, uma Livraria... Quem tiver mesmo o prazer de aprender, com certeza não irá considerar esses programas 'monótonos'! Comumente ouvimos pessoas dizerem que as crianças de hoje são mais espertas do que as de dez anos atrás... Será que são mesmo? Claro que não. Acontece que hoje elas recebem uma quantidade muito grande de informações em todos os momentos (observe-se uma criança interagindo com o computador, por exemplo!) e não há como não serem muito mais espertas e desenvolvidas do que as de dez anos atrás. E nós? Não recebemos também uma quantidade muito maior de informações? Obviamente que sim, mas não estamos habituados a aproveitá-las. Chegou o momento de os adultos também serem muito mais 'espertos e desenvolvidos' do que os de dez anos atrás, não? Afinal, o Mundo está em constante evolução e não concebe mais indivíduos passivos e alienados, que esperam o tempo passar. Muito menos Professores, que lidam com as novas gerações, ávidas em aprender. É dever de consciência do Bom Professor atualizar-se constantemente, estudar, mesmo que nas Férias. Mais do que qualquer outro profissional, ele precisa estar atualizado, para que o tempo não o 'engula', sob pena de comprometer o futuro de grandes futuros profissionais... Sim, porque na base de todo bom profissional, se procurarmos, encontraremos sempre bons professores! É seguindo essa linha de raciocínio que faço questão de enfatizar sempre que as grandes mudanças sociais tiveram início na Educação; portanto, Professor, mãos à obra! A Sociedade está esperando por um futuro muito melhor, que acolha profissionais cada vez mais competentes, éticos, justos. Se pensarmos dessa forma, dificilmente deixaremos que as Férias passem, que o Tempo passe, sem que façamos absolutamente nada!

Educação em conflito

Há muitos anos que as escolas estão se preocupando com os conteúdos e com a escolha das metodologias mais adequadas para que seus alunos atinjam os melhores níveis de aprendizagem. Obtém-se assim, escolas Informativas, aquelas que dão ênfase à informação e não Formativas, ênfase à formação geral do indivíduo. Analisando a sociedade, notamos uma inversão de valores, como o desrespeito ao ser humano, valorização do 'Ter' e não do 'ser', insensibilidade, individualismo, corrupções em todos os níveis, e muito mais. A escola é uma das instituições da sociedade e, como tal, também tem a responsabilidade de auxiliar na formação dos jovens, especialmente se houver a possibilidade de um trabalho em conjunto com as famílias. Qual seria então, o ponto de partida? A meu ver, definir o papel do cidadão que a escola deseja formar. Esta preocupação deve envolver todo o corpo docente: não só os professores, como também os coordenadores e diretores. Afinal, se um dos objetivos da escola for combater o individualismo dos alunos, isto deve dar o exemplo de um trabalho em conjunto. Em tempos de globalização, qualidade total, Internet etc, precisamos de cidadãos que interajam consigo mesmo, com o outro e com o mundo, de forma harmoniosa e, acima de tudo, com respeito. Valores éticos e morais não podem ser impostos e, portanto, não necessitam de uma disciplina específica: 'toda hora é hora !' Afinal, todos aprendemos muito mais através de exemplos do que de palavras. Se quisermos alunos gentis, nós, educadores, precisaremos ser gentis, se quisermos que nossos alunos respeitem regras da escola e da sociedade, nós precisaremos respeitá-las primeiro, porque somos 'modelos'. Da mesma forma, é importante que o educador, desde as séries iniciais, enfatize os cuidados e respeito, do aluno com seu próprio corpo e, assim, consequentemente, estará cuidando de sua mente. À medida em que o aluno cria essa consciência, passa a respeitar o corpo/mente do outro. A escola é uma das primeiras sociedades que a criança tem contato, e é nessa escola que ela deve Ter a oportunidade de conhecer a igualdade, o respeito ao ser humano, a valorização do 'ser' e não do 'Ter', a sensibilidade, a dignidade e muito mais. Cabe ao educador utilizar o maior recurso de que dispõe: a Paixão de educar!

Por uma educação libertadora

A grande maioria dos Educadores felizmente está defendendo a idéia de uma Educação Libertadora - o que não significa que os Conteúdos devam ser desprezados, mas trabalhados de forma a promover essa “Educação Libertadora” (Regis de Moraes, 1986, EPU), e que se preocupe com a formação geral do indivíduo, tendo clara a definição do cidadão que esta escola deseja formar. Por Educação Libertadora, entendemos uma educação que desenvolva no aluno o compromisso consigo mesmo e com o social. Há que se tomar cuidado no entanto, para que não haja equívocos, pois muitos entendem por educação libertadora uma educação que desobriga de tudo. O educador deve despertar no educando um diálogo interior e constante entre o precioso bem da liberdade e o da disciplina, que os educandos exercitem desde cedo a escolha dos seus caminhos, e que despertem para o exercício da cidadania. Nesse sentido, Constance Kamii, 1995, Ed.Papirus, ressalta a importância do desenvolvimento da Autonomia como Finalidade da Educação. É nas 1as. Séries do 1º Grau, ou até antes, na fase pré-escolar, conforme um dos livros mais importantes de Piaget, “O Julgamento Moral da Criança, 1932” que a Autonomia Moral e Intelectual deve ser trabalhada pelo professor. “Autonomia significa ser governado por si próprio. É o contrário de heteronomia, que significa ser governado por outrem” (Kamii, 1995). Kamii também adverte para o fato de os professores incentivarem seus alunos a recitarem respostas certas, sem contudo levarem-nos ao raciocínio e os questionarem sobre o que pensam sinceramente. “É responsabilidade também do ensino de 1º Grau colocar os alunos em condições de continuarem estudando e aprendendo durante toda a vida e inculcar valores e convicções democráticas, tais como: respeito pelos companheiros, solidariedade, capacidade de participação em atividades coletivas, crença nas possibilidades de transformação da sociedade” - J.C.Libâneo, Didática,p.24. Toda essa preocupação deve envolver todo o corpo docente: não só os professores, como também os Coordenadores Pedagógicos, Orientadores Educacionais e Diretores. Afinal, se um dos objetivos da Escola for combater o individualismo dos alunos, isso deve dar o exemplo de um trabalho em conjunto. Trata-se na verdade de uma verdadeira mobilização para a Transformação da Sociedade. Em tempos de globalização, Internet, etc., é necessário que a Escola forme cidadãos que interajam consigo mesmo, com o outro e com o mundo, de forma harmoniosa e, acima de tudo, com respeito. A Educação de 1º grau, como estava sendo desenvolvida até hoje, tem preocupado os grandes educadores da atualidade, especialmente por notarem que o ensino de 1º grau não tem se preocupado o suficiente com a formação global do indivíduo, e muito menos com o desenvolvimento moral e/ou intelectual do mesmo. Se não houver essa preocupação, fica pouco provável poder esperar, para o futuro, uma nova sociedade, com indivíduos críticos, autônomos e livres. Nesse sentido, o Professor que faz a opção pela Educação Libertadora coloca-se perante os alunos como um Orientador, que estimula e direciona seus alunos para que estes vivenciem o processo natural de desenvolvimento, dentro de um ambiente motivador - no que são apoiados por Ernesto Rosa Neto, Ática, 1991. Nessa interação entre aluno e professor, há o desenvolvimento do raciocínio lógico dos alunos, sem a imposição de conceitos sem sentido. O raciocínio lógico irá direcionar o Senso Crítico e Autonomia Moral/Intelectual por toda a vida do educando. Para que a Escola de 1º Grau seja dessa forma coerente com a atualidade, é fundamental que trate todas as disciplinas de forma a relacioná-las com o cotidiano dos alunos, com as novas exigências do mercado, e especialmente com a formação do novo cidadão, o qual será o grande executor da “Transformação da Sociedade”. Salientamos então, a importância de um ambiente escolar favorável, onde haja compreensão da realidade e onde se possa pensar em novas possibilidades, como novas concepções de conhecimento, de ciência e de verdade, preocupação com a solidariedade e com a construção de uma real democracia.

Aperfeiçoamento constante

Antigamente era comum ouvirmos que 'Médico nunca pode parar de estudar e, por isso, é uma profissão muito difícil, sacrificada...'. Felizmente a Humanidade evolui e hoje temos a consciência de que ninguém, absolutamente ninguém, pode parar de estudar. Também a idéia de Aperfeiçoamento mudou. Antigamente essa continuidade nos estudos era tida como um enorme sacrifício, quase que um castigo! Essa impressão distorcida vem-se modificando através dos tempos, mas a passos muito lentos. Poucos se referem à Educação, ao Estudo, como algo prazeroso, gratificante. E isso se nota até mesmo nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Por exemplo, quando há um Feriado e ouvimos comentários do tipo 'Não vai à Escola? Que vida boa!!!'. Tudo isso é cultural, faz parte da nossa História, mas precisa mudar e com urgência! As Famílias precisam se policiar nos comentários feitos em casa, como no exemplo acima e tantos outros, negativos à Escola, ao Estudo. Valores e Hábitos são formados no seio familiar. Uma criança que cresce com conceitos distorcidos sobre Educaçao, certamente será um adulto que pouco irá valorizar ou se importar com a Educação, muito menos com seu próprio Aperfeiçoamento Profissional. Por outro lado, há uma outra concepção também distorcida, que vincula o Estudo à uma alta remuneração futura. Sabemos que isso nem sempre é verdade! O Conhecimento proporciona Liberdade ao Indivíduo. Liberdade de agir, de fazer escolhas, de pensar, de entender e de criticar. A Liberdade Financeira é apenas e tão somente uma conseqüência possível, mas que nem sempre acontece. Quero, neste ponto, me referir a Rousseau quando diz que 'Renunciar à Liberdade é renunciar à qualidade de Homem, aos direitos da Humanidade, e até aos próprios Deveres. Não há recompensa possível para quem a tudo renuncia.' Portanto, renunciar ao Conhecimento é renunciar à própria Liberdade. Gostaria de me dirigir mais especificamente aos Professores. Antes de mais nada, quero dizer que não concordo com o Senso Comum, quando se refere ao Magistério como sendo 'Sacerdócio' - acredito que, com essa expressão, sugere-se um trabalho de doação, quase que sem remuneração - o que é falso! O Magistério é uma profissão como qualquer outra; porém, com alguns ingredientes básicos, fundamentais, como: AMOR pelo Ser Humano, RESPONSABILIDADE pelo Desenvolvimento Individual e Coletivo, PRAZER ao protagonizar a Evolução dos Alunos, SATISFAÇÃO com as conquistas e descobertas que se superam, turma após turma, CONSCIÊNCIA da influência na formação dos novos Cidadãos, integrantes das próximas Sociedades, e muitos outros. Somos, portanto, PRIVILEGIADOS!!! Sim, mas os Professores se sentem desvalorizados, especialmente com relação aos salários... Felizmente existe uma grande parcela da Sociedade que reconhece e valoriza o trabalho do Professor, mas não podemos ser ingênuos: é conveniente para as Classes Dominantes que os Professores se sintam enfraquecidos, com baixa remuneração, convencidos de que não têm importância. Afinal, Professor sem estímulo não se interessa em aperfeiçoamentos, não inova e, consequentemente, continua eternamente reproduzindo a Sociedade exatamente da forma como está, satisfazendo a todas as diferenças e injustiças de uma Sociedade de Classes. Precisamos ter consciência dos fatos, mas uma consciência que nos leve a reverter a situação. Além disso, Respeito só se conquista com competência! Aperfeiçoamento Constante leva à competência e à satisfação pessoal pela conquista do Conhecimento, da Liberdade, da Felicidade e da certeza da possibilidade de colaborar na construção de um Mundo melhor. Assim, o Professor se sentirá fortalecido em seus ideais. Ideais esses que são reconhecidos por Deus, que lhe confiou a Missão de ser Professor. Uma coisa é termos a consciência clara 'do quê e do por quê' da dita desvalorização; outra coisa é se deixar 'apagar', é 'entrar no jogo'! Assim como uma coisa é 'dar aulas'; outra coisa é fazer com que os alunos possam ir muito mais além do que nós, ou do que o Livro Didático... Porém, 'ir além' só será possível ao Professor que se dispuser a continuar se aperfeiçoando cada vez mais, em todos os sentidos! É cursar Graduações e Pós-Graduações, é desvendar os mistérios da Informática, de todas as Tecnologias, é aprender a Cultura e a Língua Estrangeira, é inscrever-se no maior número de Cursos e Treinamentos possíveis, é ler muito, desde Artigos em Jornais e Revistas até Livros - dos mais simples aos mais complexos, é aproveitar e explorar ao máximo todo o material que estiver à mão, é estar disponível para trocar idéias com seus colegas, enfim, é crescer!!! Educação é a mais pura, possível, e necessária, Realidade!

Fazendo ARTE na escola

Iniciaremos nossa reflexão baseando-nos no Art. 3º da Nova LDB, Lei no. 9394 de 20 de dezembro de 1996: ' O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: ... II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber...' No entanto, existe a necessidade de conscientização não só dos educadores, como também de toda a Sociedade. Desse modo, consideramos fundamental opinar sobre a importância da Arte em nossas Escolas. A Educação Artística é extremamente importante para o desenvolvimento global do Ser Humano, devendo ser trabalhada com liberdade e seriedade desde cedo. Fazer Arte é uma das mais ricas formas de expressão de nossos sentimentos. Auxilia, por exemplo, na facilidade (ou não) de expressão escrita, uma vez que esta requer muita imaginação. Falando-se em imaginação, fala-se também na capacidade de lidar com situações difíceis, de improvisar e muito mais. O mercado de trabalho, hoje, exige cidadãos criativos e versáteis - muitos deles podem ser incentivados e estimulados em sua capacidade de criação, nas Salas de Educação Artística. Porém, a avaliação de uma produção artística está ligada à idéia do 'feio' e do 'bonito', a qual está enraizada nas pessoas, o que faz com que estas julguem os trabalhos artísticos de acordo com as suas concepções de beleza. Esse julgamento pode tolher a produção de novos trabalhos - o que é injusto - pois sabemos que os grandes artistas estão sempre buscando a perfeição por si mesmos. A busca da perfeição e da superação dos próprios limites, com a aceitação dos erros, deve ser incentivada desde cedo, pois são valores fundamentais para o desenvolvimento do Ser Humano e consequente crescimento da Sociedade em todos os setores; Sociedade esta que, às vésperas de entrar para o 3º Milênio rejeita, cada vez mais, cidadãos acomodados. Estes e outros valores, bem como a História da Arte no Mundo, vêm ao encontro dos objetivos da nova LDB e dos educadores compromissados com o desenvolvimento da Cultura em geral, visando uma Sociedade mais justa, mais solidária e mais sensível. Aprender a apreciar uma obra de arte desenvolve a sensibilidade. Estudar a História da Arte, além de complementar o ensino de História tradicional, nos faz entender com maior profundidade a evolução humana! Concluindo, a Escola deve sensibilizar pais e alunos na compreensão da importância da Educação Artística, para que esta deixe de ser apenas uma aula de 'desenho livre' e atinja objetivos mais nobres.

Humanidade, Evolução, Regressão...

O Cidadão que compõe a Sociedade de hoje é egoísta, individualista, corrupto, consumista e que se espelha na 'Lei de Gerson', de sempre levar vantagem sobre o outro. Como consequência, notamos pessoas infelizes e distantes umas das outras. Vejamos: a Humanidade vem evoluindo rapidamente através dos tempos, o que é excelente, claro. Porém, com essa Evolução, o Homem perdeu a sensibilidade, a emoção, a Cidadania, revelando o afastamento até mesmo da espiritualidade, independente da Religião. O que quero dizer é que o Homem parece ter ficado seco, duro, insensível, calculista, apesar de mais culto e mais evoluído... Evoluído? Será mesmo que Evoluiu? Essa é uma questão para se pensar mais profundamente... Os valores naturais do 'SER' foram substituídos pelos do 'TER'; o que eu considero uma Regressão e não Evolução... É urgente e unânime a necessidade de mudança. Com isso, todos concordam. Mas... Como? Por onde começar? O que fazer, se percebemos que as próprias famílias estão perdidas? Acredito que o caminho seja a Educação! Me parece muito simplista dizer que a tarefa fica a cargo somente dos Professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. O trabalho é muito maior! Antes de mais nada, é necessário reeducar esse Professor, que está inserido nessa Sociedade à qual me referi até agora. Aí sim, com o Professor reeducado é possível sonhar com crianças que recebam valores muito mais nobres, em seu dia-a-dia. As Famílias, assim, serão também, aos poucos, reeducadas. Justificando essa reeducação, quero frizar que o Professor, como Formador de Opiniões e como Modelo, ensina muito mais por atitudes cotidianas do que por palavras. O trabalho é árduo, porque é difícil para todos nós, adultos, rompermos com os nossos antigos valores que já se encontram cristalizados. O Professor que trabalha com criança precisa, de início, se policiar o tempo todo e em todas as situações, sempre pensando na formação desse novo cidadão que hoje é ainda uma criança. E isso se dá a todo momento, na sala de aula, em qualquer disciplina. Valores como ética, respeito, solidariedade, companheirismo, tolerância, cidadania e amor pelo próximo não podem ser trabalhados de modo estanque: toda hora é hora! No Recreio, nos trabalhos em grupo, no empréstimo de um material, na competição durante os jogos, etc. Acredito que se a criança crescer dentro desse ambiente, irá absorvê-lo com muito mais facilidade e naturalidade e será, com toda certeza, um indivíduo muito melhor do que nós, garantindo assim uma real transformação da Sociedade, a qual, aí sim, poderá ser considerada verdadeiramente EVOLUÍDA!!! ********* Olho: '...o Homem parece ter ficado seco, duro, insensível, calculista, apesar de mais culto e mais evoluído... Evoluído? Será mesmo que Evoluiu? Essa é uma questão para se pensar mais profundamente...' 'É urgente e unânime a necessidade de mudança. Com isso, todos concordam. Mas... Como? Por onde começar? O que fazer, se percebemos que as próprias famílias estão perdidas? Acredito que o caminho seja a Educação!'

Violência: até quando?

Como Cidadã e como Profissional da Educação sou mais uma a tratar do assunto 'Violência' - isto, porque tenho a certeza que quanto mais falarmos, mais próximos chegaremos das soluções... Por outro lado, também sei que só ficar discutindo, de nada adianta! É preciso 'colocarmos a mão na massa' e alterarmos o rumo das nossas próprias vidas, e já! Não dá prá deixar prá depois! Até quando iremos prorrogar atitudes que de fato façam diferença? Até quando ficaremos passivos, assistindo a violência 'do outro lado da tela'? Muito tem-se falado da Violência nas Escolas, mas... gostaria de refletir junto com o leitor: Será mesmo que o problema é exclusividade das Escolas? Na verdade, a Escola é um espelho da Sociedade. E a Sociedade está extremamente violenta! Quando vivíamos sob a Ditadura, a Escola era castradora, como a Sociedade. Hoje, a Educação é desigual, formando diferentes níveis de alunos, a exemplo da nossa Sociedade de Classes. Como esses, temos muitos outros exemplos, recorrendo à História. Voltando à violência em si, fico muito preocupada quando percebo que a opinião pública está se voltando única e exclusivamente para a Escola e para seus próprios jovens (aliás, preferencialmente, os das classes menos favorecidas). Isso é uma inversão de valores! Nós, adultos, não estamos sabendo educar nossos jovens - portanto, a responsabilidade maior é nossa, tanto Família como Escola. Temos visto algumas iniciativas por parte das Autoridades, das Escolas e outras organizações sociais. No entanto, fico pensando até que ponto que essas iniciativas isoladas serão fortes o suficiente para conseguir alterar o rumo das coisas. Assisti recentemente a um Filme Nacional, que na verdade é um romance, mas que chamou minha atenção para a forma realista com que foi tratado o problema da vida na Favela - as Leis internas que dirigem o cotidiano da Favela e por quem são controladas, a naturalidade com que se trata do homicídio, da droga... Saí do Cinema extremamente abalada, pois saí do meu 'mundinho' e pensei: 'As Escolas não estão falando a mesma língua que seus alunos - e esse problema parece eterno!' Acontece que muitas das crianças da Favela nascem e vivem em meio à violência nua e crua, onde é 'normal' ser comandada e aprender a respeitar o traficante, por exemplo. Do mesmo modo, muitas crianças da chamada classe média e alta, nasce e convivem com violências muitas vezes camufladas, mas que não deixam de ser violências. Vamos pensar o que, literalmente, pode ser considerado como um ato violento: Abandono da Família, Não cumprimento de Leis, Humilhação e maus-tratos à Mulher e ao Idoso, Racismo, Discriminação, Autoritarismo, Alcoolismo, e toda e qualquer violação dos Direitos Humanos, em particular, dos Direitos do Estatuto da Criança e do Adolescente, e muitos outros exemplos. Mas a Sociedade assiste ao Noticiário como se a violência estivesse distante de si mesma, como se só 'eles' fossem violentos... quanta ilusão! Volto a insistir - a violência da Escola é o alarme da Sociedade. Não podemos mais aceitar essa qualidade tão baixa de vida. Já é hora de toda a Sociedade se mobilizar e olhar para dentro de si e se reeducar, procurando corrigir suas próprias culpas. A Escola precisa da ajuda das Famílias, pois sozinha é muito difícil mudar a personalidade de um jovem acostumado com a violência. Insisto que precisamos enxergar e reconhecer que o Jovem está apenas reproduzindo o que ele vive, no dia-a-dia. Uma das ações mais louváveis que tenho ouvido ultimamente, é a idéia de se promover cada vez mais, programas de Esporte, de Teatro, de Informática, de Vídeos, de Profissionalização na Escola, fora do horário de aula - tanto em Escolas Públicas como em Particulares. Dessa forma, poderá ser eliminado, ou minimizado, o tempo ocioso do jovem, ocupando-o com atividades produtivas e atraentes. Se o Jovem gostar da Escola, com toda a certeza ele mesmo irá cuidar para que não seja pichada ou depredada. Vamos parar de discutir e passar para ações efetivas, encarando a Juventude como a esperança no futuro e não como um problema atual, até porque, nós o criamos!

O drama da lição de casa

Para a grande maioria dos pais é um verdadeiro drama acompanhar seus filhos na época escolar – o que não deveria ser! Na verdade, o que ocorre é um desgaste desnecessário. Como exemplo, vou falar da “Tarefa de Casa”. A criança não quer fazer ou faz de má vontade; a mãe fica nervosa, castiga, ou ajuda a fazer a tarefa (quando não faz por ela). Tudo errado, favorecendo uma verdadeira “guerra” em casa que parece não ter fim - e a tendência, seguindo essa linha, é não ter fim mesmo. Se a criança não quer fazer sua tarefa, quando for cobrada pelo professor, certamente enfrentará alguma conseqüência negativa e os pais devem, depois de algumas tentativas em contrário, deixar que sofra essas conseqüências na Escola e que tenha também que responder por suas falhas em casa. Desse modo, os pais estarão ajudando seu filho a amadurecer com responsabilidade, assumindo e respondendo por seus atos. A criança precisa aprender desde cedo que as opções são muitas e as escolhas são feitas por cada um – optar por fazer ou não a lição de casa é uma delas. Quando a criança não consegue fazer a tarefa sozinha, os pais não devem ajudar, ensinar, pois estarão cumprindo um dever que não é deles. E o que é pior: reforçando o fato do aluno não prestar atenção na aula (“depois minha mãe ensina...”), ou a timidez de dizer ao professor que não entendeu. De qualquer forma, das duas maneiras é prejudicial para a criança, para seu desenvolvimento, posicionamento, etc. Além disso, para o professor, a “doença fica mascarada!” O que quero dizer é que se a tarefa é apresentada pronta e certa, ele imagina que o aluno saiba fazer sozinho, que não tenha dúvidas e, na hora da prova... surpresa: nota baixa! Nesse caso, fica então evidente que não houve aprendizagem de fato e que se perdeu um tempo precioso. O novo cidadão que a Escola de hoje pretende formar é aquele que se sente livre, mas com responsabilidade, que seja crítico com sabedoria, que vença na vida com a arma do conhecimento, que se utilize da tecnologia mas que saiba amar, que frequente a Escola não por obrigação, mas por reconhecer, dentro de si, a real importância da sua própria evolução. Portanto, quero tirar dos pais mais este “fardo”. O seu papel é o de incentivar seus filhos ao estudo, acompanhar, participar das reuniões/festas escolares... e deixar que os professores cumpram o que é seu dever: ensinar!

O passado justifica o presente, que prepara para o futuro

Cidadania, Ética, Moral, Senso Crítico... Essas palavras não podem se tornar jargões, ou muito menos 'palavras da moda'. Seu significado é importante demais para se deixá-las cair no vazio... O que pretendo refletir com o leitor é sobre algumas formas de desenvolver, trabalhar esses conceitos com o aluno. Todas as disciplinas que compõem o Currículo do Ensino Fundamental podem e devem sempre inserir esses conceitos no seu dia-a-dia. Porém, a disciplina de História, comumente trabalhada com a Geografia, é a principal responsável. Justifico a afirmação partindo do princípio que somente um indivíduo conhecedor da Evolução Histórica e Geográfica do Mundo, pode exercer verdadeiramente o Senso Crítico; compreendendo as Relações Humanas entre as diversas sociedades e culturas, ele compreenderá a importância e a dignidade da Ética, a qual reflete o respeito por si e pelo seu próximo. Compreenderá também que a Moral 'regula', organiza (sem escravizar) a livre convivência em sociedade, mas que é variável de cultura para cultura, de geração para geração. A Cidadania reflete claramente o exercício dos direitos e dos deveres de cada cidadão, além do profundo respeito e amor por seu bairro, sua cidade, região, país... É a compreensão do respeito e da conservação dos bens públicos, é o cumprimento das leis - por reconhecimento de sua necessidade, não pela simples obediência cega... Mas o cidadão deverá conhecer profundamente a História desse seu país, região, cidade, bairro, para que valorize, defenda, por conscientização. Para ilustrar, penso que não devemos esperar que a criança se torne um adulto que destrói Orelhões, ou que pixa Monumentos - nós educadores, cidadãos, temos o dever de educá-los desde cedo, mas não reprimindo e sim conscientizando do respeito pelos bens públicos. Além disso, é fundamental o conhecimento prévio da História para o entendimento da política, economia e relações sociais em geral que hoje podem ser observadas e aí sim, com todo um embasamento cultural, criticadas, discutidas. Não se critica aquilo que não se tem conhecimento... além de demonstrar futilidade, é completamente anti-ético! Em sala de aula, a maneira de envolver os alunos na busca do conhecimento, e no exercício da ética entre eles mesmos é, além do incentivo à Pesquisa em grupos ou em duplas, a compreensão efetiva de que ser cidadão é nosso direito e nosso dever, em busca de uma sociedade mais justa. A possibilidade da troca de idéias deve ser treinada para ser apreendida. A exposição desses trabalhos é um grande incentivo aos alunos e não deve ser esquecida, principalmente se visitada pela família. Aliás, o fato da ausência de retorno positivo por parte do professor é bastante desestimulante, além de extremamente incoerente para alguém que se propõe a valorizar a Ética...

Educação em conflito

Há muitos anos que as escolas estão se preocupando com os conteúdos e com a escolha das metodologias mais adequadas para que seus alunos atinjam os melhores níveis de aprendizagem. Obtém-se assim, escolas Informativas, aquelas que dão ênfase à informação e não Formativas, com ênfase à formação geral do indivíduo. Analisando a sociedade, notamos uma inversão de valores, como o desrespeito ao ser humano, valorização do 'Ter' e não do 'Ser', insensibilidade, individualismo, corrupções em todos os níveis, e muito mais. A escola é uma das instituições da sociedade e, como tal, também tem a responsabilidade de auxiliar na formação dos jovens, especialmente se houver a possibilidade de um trabalho em conjunto com as famílias. Qual seria então, o ponto de partida? A meu ver, definir o papel do cidadão que a escola deseja formar. Esta preocupação deve envolver todo o corpo docente: não só os professores, como também os coordenadores e diretores. Afinal, se um dos objetivos da escola for combater o individualismo dos alunos, isto deve dar o exemplo de um trabalho em conjunto. Em tempos de globalização, qualidade total, Internet etc, precisamos de cidadãos que interajam consigo mesmo, com o outro e com o mundo, de forma harmoniosa e, acima de tudo, com respeito. Valores éticos e morais não podem ser impostos e, portanto, não necessitam de uma disciplina específica: 'toda hora é hora !' Afinal, todos aprendemos muito mais através de exemplos do que de palavras. Se quisermos alunos gentis, nós, educadores, precisaremos ser gentis, se quisermos que nossos alunos respeitem regras da escola e da sociedade, nós precisaremos respeitá-las primeiro, porque somos 'modelos'. Da mesma forma, é importante que o educador, desde as séries iniciais, enfatize os cuidados e respeito, do aluno com seu próprio corpo e, assim, consequentemente, estará cuidando de sua mente. À medida em que o aluno cria essa consciência, passa a respeitar o corpo/mente do outro. A escola é uma das primeiras sociedades que a criança tem contato, e é nessa escola que ela deve Ter a oportunidade de conhecer a igualdade, o respeito ao ser humano, a valorização do 'ser' e não do 'Ter', a sensibilidade, a dignidade e muito mais. Cabe ao educador utilizar o maior recurso de que dispõe: a Paixão de educar!